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Prefeitura de BH anunciou ontem que vai comprar vagas em escolas particulares para atendimento de crianças de 0 a 6 anos devido à greve dos professores da rede municipal


COMPRA DE VAGAS VIRA POLÊMICA

Prefeitura de BH anunciou ontem que vai comprar vagas em escolas particulares para atendimento de crianças de 0 a 6 anos devido à greve dos professores da rede municipal

Fonte: Estado de Minas (MG)

Todos Pela Educação
Os pais que estão tendo de se desdobrar para se adaptar à nova rotina dos filhos diante da greve das Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis), em Belo Horizonte, estão perto de uma alternativa. A prefeitura anunciou ontem, no Diário Oficial do Município (DOM), que vai comprar vagas em Escolas particulares para atendimento de crianças de 0 a 6 anos. A justifica é o “prejuízo causado aos alunos e familiares” pela paralisação dos educadores infantis, iniciada em 14 de março. Mas a proposta, cujos detalhes serão divulgados semana que vem em edital, conforme informou a Secretaria Municipal de Educação, suscita divergências e críticas entre especialistas e pais. Os servidores das Umeis exigem a equiparação dos salários com os dos professores do Ensino Fundamental, o que faria a remuneração-base passar de R$ 1.030,35 para R$ 1.676,03. Anteontem, a PBH contrapropôs R$ 1.080,38, valor recusado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (SindRede-BH).

A compra de vagas em Escolas particulares foi criticada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Infância e Educação Infantil (Nepei), da UFMG. O grupo tem um manifesto de apoio aos educadores de BH com 61 assinaturas de professores e pesquisadores de instituições de ensino superior. Além de prejudicial à adaptação das crianças, a professora Isabel de Oliveira e Silva, da Faculdade de Educação da Federal de Minas, faz outra análise: “Essa é uma forma de enfraquecer o movimento (dos professores) e a prefeitura não vai sustentar isso. Se acabasse com as Umeis e firmasse convênios com as Escolas privadas seria uma coisa, mas a criação delas indica que o município assume a responsabilidade que lhe é devida e forma uma rede própria. E não se troca uma criança daqui para ali, há um conjunto de fatores que promovem a segurança dela naquele ambiente”.
Uma nova assembleia dos educadores infantis está marcada para segunda-feira, na Câmara Municipal, às 14h. A prefeitura tenta negociar com a categoria tendo como base um projeto de lei em tramitação na Casa que propõe transformar o cargo de educador infantil em professor da Educação infantil. Mas, para o SindRede, a proposta altera apenas a nomenclatura do cargo, mas não inclui os servidores da Educação infantil no plano de carreira da Educação municipal. Há cerca de 600 educadores parados, de um total de 2.150 na rede municipal de ensino. Das 63 Umeis em funcionamento, seis estão totalmente paralisadas e cerca de 30% das turmas, prejudicadas.