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O patrimônio arquitetônico em Marília: entre o público e o privado

O patrimônio arquitetônico em Marília: entre o público e o privado

Representando o marco de uma fase de ascensão econômica do município, na Rua D. Pedro, nº 87, está o casarão da família Schelini. Faz parte do traçado do antigo loteamento dos Pereirinha, tem seu início na Av. Sampaio Vidal, via que é o marco entre a história do patrimônio Alto Cafezal e das novas terras de Bento de Abreu.
Uma imagem contendo ao ar livre, edifício, casa, chão

Descrição gerada automaticamente
O processo de tombamento pode ser considerado polêmico, pois, curiosamente tombado duas vezes, ainda não foi homologado pelo Secretário de Estado de Cultura. Portanto, ainda tramita no Condephaat e é objeto de acaloradas discussões entre os herdeiros, poder público municipal e o próprio Condephaat, que não dispõe até hoje (maio de 2008) (2) de uma decisão final acerca dos interesses dos envolvidos. (3)
O período, de 1986 a 2004, analisado durante os estudos de tombamento do imóvel, foi caracterizado principalmente pela crescente especulação imobiliária atuando contra a proteção oficial dos bens culturais e, em contrapartida, a valorização e a democratização da memória social ocorrida em âmbito estadual. (5)
O pedido de tombamento do imóvel partiu da Comissão Organizadora dos Registros Históricos da Câmara Municipal de Marília, em 27 de janeiro de 1986, argumentando em favor da preservação do bem cultural: a casa representa um ícone no desenvolvimento do núcleo urbano, ressalta seu valor arquitetônico e enfatiza a existência de uma ameaça concreta de destruição.
Os solicitantes destacam a importância da preservação da memória para uma cidade nova como Marília, onde aparece a questão do mito fundador com a afirmação de ser o primeiro imóvel construído de tijolos naquela cidade e ainda no ano de sua fundação, em 1929.
E a partir desse parecer, o Egrégio Colegiado, em 03/02/1986 manifesta-se favorável à abertura de processo de tombamento. Em seguida, Ana Luiza Martins elabora um histórico da ocupação da região, desde o surgimento do município de Marília e destacou a casa da rua D. Pedro, como um ícone para o Estado de São Paulo:
Logo após o parecer da conselheira encontra-se uma carta enviada ao Condephaat por um dos seus proprietários, Goffredo Abarca Schelini.  Inicia-se o conflito de interesses entre o público e o privado, tendo como foco a casa da rua D. Pedro.
Schelini ressalta que o bem é o segundo mais antigo da cidade de Marília, reiterou a afirmação do STCR de que o imóvel é um dos mais antigos de Marília. Uma das críticas está no valor arquitetônico atribuído pela Comissão dos Registros Históricos de Marília, pois, de acordo com o senhor Schelini, essa comissão, não teria condições de avaliar o valor arquitetônico do imóvel e afirma que a casa é uma cópia de uma existente em São Paulo. O senhor Schelini, um dos proprietários afirmou que o tombamento, pela área envoltória, “congela” os seus arredores para fins econômicos.
Outro ponto da contestação fica em torno da importância histórica do bem cultural em nível estadual e sugere ao Condephaat que procure os primeiros edifícios das cidades do interior para incluí-los como patrimônio cultural paulista, fato que foge das atribuições do órgão, que é de analisar os pedidos de tombamento.
O tombamento desse bem cultural, além de envolver a posição contrária dos proprietários, também suscitou o embate pela sua preservação entre os próprios membros do Condephaat. O favorável, alegando a defesa da memória do oeste paulista (história e arquitetura) e o contrário, ressaltando os inúmeros problemas que permeiam o processo tanto da recusa ao tombamento pelos proprietários como os próprios conselheiros, como já visto acima, ressaltando apenas o valor local do imóvel em tela.
Mas o caso analisado foi levado para apreciação do conselheiro Odeibler Santo Guidugli, destacando: um conjunto de situações, no mínimo estranhas. E solicitou da família Schelini esclarecimentos sobre as aspirações econômicas da utilização do imóvel em questão e do Condephaat do uso das suas partes externas.


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