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3 de dez. de 2019

Débora Seabra, que tem síndrome de Down, conta como superou dificuldades para seguir a profissão

Sou professora de crianças: realizei o meu sonho
DÉBORA ARAÚJO SEABRA DE MOURA - FOLHA DE SÃO PAULO – 03/12/2019 – SÃO PAULO, SP

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Débora Seabra, que tem síndrome de Down, conta como superou dificuldades para seguir a profissão
Tenho síndrome de Down e 38 anos. Moro em Natal, sou professora e atuo como auxiliar de desenvolvimento infantil na educação infantil em uma escola particular.
Fiz vários estágios buscando descobrir minha profissão, dentro do Programa Ação Dignidade da nossa Associação Síndrome de Down. Mas foi num estágio na educação infantil que me apaixonei por esse trabalho e disse para mim mesma e para minha família: `É isso que quero. Ser professora de crianças`.
No curso de magistério enfrentei algumas dificuldades por causa de preconceito de colegas. Mas sempre fui forte e gritei pelo meu direito de ficar em sala de aula e ser incluída. Eu queria realizar meu sonho de ser professora de crianças e consegui.
Concluí o magistério e fui trabalhar em 2005 como voluntária na Escola Doméstica de Natal, que tem 105 anos. Até hoje estou lá. Hoje sou professora contratada, com carteira assinada. Trabalho todos os dias à tarde, das 13h30 às 17h30.
Faço tudo que as outras auxiliares fazem. Participo do projeto pedagógico, acolho as crianças, sou cuidadosa e carinhosa com elas e também ensino a respeitar as diferenças. Estudo semanalmente o planejamento com minha orientadora pedagógica, para saber tudo o que vai acontecer na sala de aula e poder ajudar as crianças. Somos uma equipe onde a titular precisa das auxiliares e as auxiliares precisam da titular para que o trabalho seja bem feito.
Além de ser professora, sou escritora. Escrevi um livro de fábulas inclusivas chamado `Débora Conta Histórias`. Nas histórias os personagens são animais. No livro só tem uma personagem humana, que é a menina Sandra (uma homenagem que fiz à minha primeira colega de trabalho na escola).
Faço parte do grupo de autodefensores da Federação Brasileira de Síndrome de Down, formado por pessoas com síndrome de Down. Temos encontros quinzenais pela internet, quando estudamos e discutimos sobre nossos direitos e deveres. Sou secretária do grupo, responsável pelas atas das reuniões.
Durante minha vida toda tenho sido uma `Caminheira da Inclusão`. Já fiz muitas palestras no Brasil e até no exterior, como em Nova York, na ONU. Dou meu recado sobre a importância da inclusão.
Já ganhei vários prêmios e recebi muitas homenagens por causa do meu trabalho. Em Natal, recebi do Tribunal de Contas do Estado a medalha do Mérito Governador Dinarte Mariz, homenagens da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa do RN. Entre os prêmios posso destacar: Prêmios Sentidos, Claudia, Darcy Ribeiro da Educação e Brasil Mais Inclusão. Recebi homenagens da Câmara dos Deputados, da Assembleia Legislativa do RJ e da Justiça do Trabalho de Campinas (SP), entre outras.
Senti muita emoção quando conduzi a Tocha Olímpica da Rio-2016 pelas ruas de Natal e quando participei do revezamento da tocha paralímpica na minha cidade.
Em 2019, recebi convite das crianças da Escola Maple Bear em Natal para contar minha história. Foi um momento maravilhoso na minha vida de palestrante. Falei para as crianças sobre o que é inclusão e elas fizeram homenagem com um poema e uma música que diz: `Quando crescer quero ser igual a você`.
O que acho mais importante no meu trabalho com crianças é que elas serão adultos sem preconceito. Tenho certeza que saberão respeitar e aceitar as diferenças de cada um, sem discriminar, sabendo que todos têm direito de participar de tudo, porque ninguém pode ficar para trás.

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