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3 de dez. de 2019

Por que o Brasil vai tão mal no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês)

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O que é o Pisa e por que o Brasil vai tão mal
FÁBIO TAKAHASHI - FOLHA DE SÃO PAULO – 03/12/2019 – SÃO PAULO, SP


Um dos principais exames educacionais do mundo, o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) avalia o conhecimento em leitura, matemática e ciência de estudantes de 15 anos, em 79 países.
Os resultados de 2018 foram divulgados nesta terça-feira (3), em todo o mundo. Este episódio do Folha na Sala explica o que é a prova, por que ela é tão importante e debate por que o Brasil sempre fica nas últimas colocações.
O Folha na Sala conversou com o pesquisador Francisco Soares, um dos principais especialistas brasileiros em avaliação educacional, e o professor da rede municipal de Fortaleza José Gilson Lopes, premiado na Olimpíada de Língua Portuguesa.
O QUE É O PISA
Participaram da última edição do Pisa 600 mil estudantes, uma amostra feita para representar 32 milhões de alunos. A população avaliada tem como base sua idade, não uma série específica, porque os sistemas educacionais são diferentes --e alunos com a mesma idade estão em anos diferentes, dependendo da região.
Aos 15 anos, em grande parte dos países, os alunos já concluíram o ensino fundamental. No Brasil, onde 11 mil alunos fizeram o exame, tipicamente eles estão no 1º ou 2º ano do ensino médio. A amostra é feita para representar a população em termos socioeconômicos e participação da escola pública e privada.
A prova é organizada pela OCDE, organização que reúne países desenvolvidos. Nações como o Brasil entram como convidadas. Cada país tem um responsável local. No Brasil, é o Inep (instituto de pesquisa do Ministério da Educação).
A prova é conhecida por não ser “conteudista”, ou seja, cobra pouco memorização. A prioridade é “medir o quanto o jovem adquiriu conhecimento e habilidades para uma participação plena na sociedade”.
No caso de leitura, visa saber se o jovem adquiriu habilidades como seguir as instruções de um manual ou descobrir o quem, o que, quando, onde e por que de um evento.
O exame é feito a cada três anos, desde 2000. Na edição de 2018, quase todos os alunos fizeram a prova no computador, sendo a maior parte de forma dissertativa.
Os estudantes têm duas horas para completar o exame, que usa a metodologia de teoria de resposta ao item, semelhante ao Enem.
Ou seja, não importa apenas quantas questões o estudante acerta, mas qual a coerência dos acertos (se erra muitas fáceis e acerta uma difícil, haverá desconto, pois esse acerto pode ter sido um “chute”).
Em cada divulgação uma das áreas recebe ênfase --possuem mais questões e uma análise maior da OCDE. Na prova divulgada neste ano, o foco foi leitura.
Num exemplo de questão aplicada, o aluno recebe textos conflitantes sobre a queda populacional do povo Rapa Nui, na Polinésia.
Um livro, “Collapsed”, afirma que o povo desmatou a região, para fazer, por exemplo, grandes estátuas. A escassez de recursos naturais causou uma guerra civil. Em outro texto, um trabalho acadêmico, traz a hipótese de que ratos chegaram à ilha junto com as canoas dos humanos. Os ratos comeram as sementes das árvores, causando a devastação, segundo essa versão.
Ao aluno foi questionado o que causou o quase extermínio do povo Rapa Nui. Segundo o manual do exame, não havia na questão dissertativa a resposta certa. A ideia era avaliar o quanto o aluno conseguia comparar os textos, se tinham lógica. Podia até responder que não havia evidências suficientes para uma resposta segura

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