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O método Mentalidades Matemáticas foi desenvolvido por Jo Boaler, professora da Universidade de Stanford

Saem as tabuadas e fórmulas, entra em aula um jogo e um desafio. É assim que, há três anos, as aulas de matemática da Escola Estadual Henrique Dumont Villares, no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, resultado de um projeto comandado pelos professores e que já mostra seus resultados.
A abordagem se chama Mentalidades Matemáticas e já produz resultados. O desempenho da instituição no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) subiu em 2017 e 2018. No último ano, a abordagem foi implementada no quarto e quinto ano e os resultados pularam de de 30,7% em 2017 para 42,8% de desempenho avançado.
O método Mentalidades Matemáticas foi desenvolvido por Jo Boaler, professora da Universidade de Stanford, e consiste em instigar a investigação e colaboração entre os alunos. São eles os responsáveis por sugerir caminhos para resolver os problemas, expô-los aos colegas e tentar convencê-los.
“As diversas pesquisas sobre erros e o cérebro não somente nos mostram o valor dos erros para todos mas também indicam que estudantes com mentalidade de crescimento têm maior atividade cerebral relacionada ao reconhecimento de erros do que estudantes com mentalidade fixa”, escreve a professora em seu livro Mentalidades Matemáticas (ed. Penso), segundo a Folha de São Paulo.
Com base no conhecimento de neurociência, problemas visuais ou que requeiram a visualização como uma de suas etapas também são bastante empregados, usando de recursos visuais para que o cérebro consiga assimilar mais facilmente o conteúdo.

Treinamento aconteceu com parceria

O Instituto Sidarta, ONG voltada à área de educação, foi parceria da E. E. Henrique Dumont Villares no treinamento dos professores. Foram feitos encontros quinzenais, nos quais os docentes foram treinados e trocaram experiências.
“Depois que começaram as aulas do curso de formação, comecei a ver resultado.Percebi que os alunos aprendem com mais facilidade quando eles aplicam as próprias estratégias, e não só copiando aquela do professor. Dar voz a eles funciona —nunca vi um resultado tão imediato”, diz Sueli Aparecida Pedroso, professora de ensino fundamental 1 do Henrique Dumont Villares, em entrevista à Folha de São Paulo.
Segundo Ya Jen, presidente do Instituto Sidarta, a metodologia serve também para fortalecer os professores. “As pesquisas mostram que quando uma professora ou mãe se sente incapaz ou com medo, ela também gera esse impacto nas crianças. O treinamento permite que elas adquiram essa segurança para ensinar”, finaliza.
A plataforma gratuita YouCubed (youcubed.org), criada por Boaler e equipe, contém dezenas de planos de aula e exemplos que podem ser empregados para estimular os alunos. O conteúdo está traduzido ao português.

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