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Cidade de Prato: a China italiana com centenas de indústrias do setor têxtil


Brasileira relata comércios chineses vazios em cidade da Itália após casos de coronavírus

Província de Prato, região da Toscana, é conhecida por ter indústrias do setor têxtil com milhares de chineses como mão de obra. Na Itália, são 12 mortes e 374 infectados; país europeu colocou cidades em quarentena.
Por Paola Patriarca, G1 Rio Preto e Araçatuba
24/02/2020 15h55  Atualizado há um mês

Por Paola Patriarca, G1 Rio Preto e Araçatuba
 



Daniela Zoccal, de Rio Preto, mora na Itália há 3 anos — Foto: Arquivo Pessoal  A brasileira Daniela Zoccal, que mora há três anos em Prato, província que fica na região da Toscana, Itália, relatou ao G1 que os moradores da cidade, conhecida por ser a China italiana com centenas de indústrias do setor têxtil, estão evitando ir aos comércios chineses após confirmação de casos de infecção pelo Covid-19, o coronavírus, no país
a.
O vírus já infectou cerca de 77 mil pessoas e matou mais de 2.500 na China, onde ele se originou no ano passado. Na Itália, 12 mortes foram confirmadas, no Irã, 12, e na Coreia do Sul, 7. Até o momento, em Prato não tem nenhum caso registrado.
A empresária, que é de Rio Preto (SP), afirma que desde que os casos foram confirmados, a rotina na cidade, que tem a maior concentração de chineses por serem a principal mão de obra das empresas, mudou completamente. Restaurantes chineses, que viviam lotados, estão vazios.
"Semana passada, após chegar do Brasil, fui em um restaurante que tem chineses trabalhando e a dona estava desesperada porque as pessoas não estão indo ao restaurante. Ela disse para mim que o movimento caiu 90%. Aos domingos eu vou a um bar antigo, que é famoso e bem frequentado. Ele foi comprado recentemente por chineses. Ontem ele estava vazio e é sempre lotado com filas. Fomos ontem e não tinha ninguém. Nem o rapaz que é dono estava", afirma.

Ainda de acordo com a brasileira, as indústrias de confecções também estão sofrendo com a falta de mão de obra.
"Eu trabalho para uma empresa da Nova Zelândia e estou procurando um determinado produto. Para ter ideia, não estou conseguindo achar porque estou entrando em contato com chineses na cidade que fariam isso, mas não voltaram da China. Soubemos que tem 2,5 mil chineses que não voltaram para cá desde que foram passar as festividades no país. A mão de obra deles não conseguiu voltar e está um caos", relata.
Daniela ainda afirma que os italianos estão evitando contato com os chineses na cidade e com medo da doença.
"Aqui na Itália tem muitos idosos e eles estão muito assustados e com medo. Muitos não querem se aproximar dos chineses e todos estão com máscaras nas ruas. Além disso, muitos estão comprando diversos alimentos para não saírem das casas e tem mercado que até está faltando já" afirma.

A polícia faz pontos de controle em torno de 11 cidades do norte da Itália que estão em quarentena, em uma tentativa de controlar o vírus Covid-19. Ao menos seis das vítimas até agora eram idosos, e pelo menos dois deles já tinham outras doenças sérias.
Há 43 locais onde há restrições à entrada e saída, e quem infringir a proibição poderá enfrentar penas que chegam a três meses de prisão.
Até o domingo (23), a polícia só vigiava os acessos e informava os motoristas qual era a situação. Mas novos decretos foram impostos, e as entradas e saídas foram proibidas –e devem ficar assim por 14 dias.
 Ao menos 190 pessoas no norte da Itália foram diagnosticadas com o vírus, e sete morreram, incluindo uma mulher de 84 anos que faleceu na madrugada desta segunda (24) em Bergamo.
As autoridades ainda não conseguiram identificar a origem do contágio. Nesta segunda (23), a epidemia já atinge mais de seis regiões. A Áustria fechou temporariamente o tráfego nas fronteiras com a Itália.
Outros países vizinhos, como Eslovênia e Croácia, que são destinos populares para turistas italianos, convocaram reuniões de emergência. Não há nenhum caso registrado nesses países.
As autoridades da Itália cancelaram jogos de futebol e fecharam escolas. Apresentações teatrais e até mesmo o carnaval de Veneza foram cancelados. Ao mesmo tempo, o governo tenta explicar que a taxa de mortalidade do vírus é relativamente baixa, se comparada com as gripes sazonais.

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