Marília (SP) lidera o ranking de inadimplência em escolas particulares durante o atual período de pandemia.

Um levantamento feito pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do estado de São Paulo mostra que Marília (SP) lidera o ranking de inadimplência em escolas particulares durante o atual período de pandemia.
De acordo com a pesquisa, a média de inadimplência em todo o estado aumentou significativamente, de 6,37% em janeiro para 20,94% em abril. A maior taxa foi registrada em Marília, com 29,83%. Na sequência vem a capital paulista, com 25%. Em Bauru, o índice ficou em quase 23% (22,56%).
  • Com as aulas suspensas desde o início de março, grande parte das escolas particulares foi afetada pela falta de pagamento das mensalidades. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a inadimplência aumentou em 249%, segundo o levantamento.
Os reflexos causados pelo isolamento social atingiram a economia de um modo geral e muitas famílias que tiveram a renda abalada deixaram de pagar as mensalidades. Com isso, algumas delas precisaram repensar o investimento na educação dos filhos.
Segundo o levantamento, escolas de educação infantil foram as mais afetadas pela inadimplência — Foto: TV TEM/Reprodução
Segundo o levantamento, escolas de educação infantil foram as mais afetadas pela inadimplência — Foto: TV TEM/Reprodução
Outra preocupação é que o quadro de inadimplência sugere um aumento dos índices de evasão, com os alunos buscando seguir seus estudos nas escolas públicas. Segundo Benjamim Ribeiro, diretor do sindicato das escolas, esse movimento pode provocar uma superlotação da rede pública.
“A inadimplência deve aumentar ainda mais em maio [os dados só saem no começo de junho], já que a evasão na educação infantil foi enorme. E as escolas que mais sofrem são as pequenas, já que elas não estavam preparadas para o ensino à distância e tiveram que investir em plataformas online”, explica o dirigente.

Negociação

Em Marília, mesmo com as aulas sendo retomadas de forma online, a dificuldade no pagamento das mensalidades gerou evasão de alunos da pré-escola. E para evitar que esse movimento aumentasse ainda mais, foi necessário negociar.
Esta é a justamente a orientação do Procon. Segundo Guilherme Moraes, diretor do órgão de defesa do consumidor em Marília, que firmou um termo com o sindicato do setor estabelecendo algumas normas para essa conciliação, aas escolas têm por obrigação negociar com os pais.
Para Guilherme Moraes, diretor do Procon em Marília: "Pais devem mostrar que perderam renda com a pandemia" — Foto: TV TEM/Reprodução
Para Guilherme Moraes, diretor do Procon em Marília: "Pais devem mostrar que perderam renda com a pandemia" — Foto: TV TEM/Reprodução
“A negociação é um direito do consumidor, pois nesse caso há fatores posteriores à assinatura do contrato que mudaram a realidade, no caso, a pandemia. É importante salientar que uma boa conversa resolve muita coisa, e que o contrato neste período tem que ser flexibilizado”, explica Moraes.
Segundo o diretor do Procon, essa conversa deve ser aberta e sincera, com os pais deixando claro que apenas deixaram de pagar porque perderam renda com a pandemia.
“A negociação deve ser uma iniciativa dos pais, que devem apresentar documentos que comprovem que tiveram os rendimentos prejudicados com a quarentena. As escolas devem analisar caso a caso e aplicar a redução devida”, orienta o Procon.
A ideia do Procon é evitar casos como a da família da comerciante Luana Lucas, que teve a renda abalada com a pandemia e precisou repensar o investimento na educação da filha, que saiu da escola particular e foi para uma estadual.
"Minha filha estava em casa, sem estudar, a gente não sabe o que vai acontecer, mas na escola a mensalidade continuou a mesma como se a criança estivesse na escola. Daí conversamos e resolvemos tirar ela da escola", conta a comerciante.
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