Pais são contra a educação remota



Conselho Nacional de Educação prepara documentos para orientar escolas
A educação está passando por uma mudança significativa com relação a visão dos alunos e da família e até mesmo dos professores. Depois de um pouco mais de um mês do fechamento das escolas por causa da pandemia do coronavírus, começa um questionamento entre pais de alunos e professores sobre a efetividade e a eficácia da escola a distância.  Foram necessárias apenas algumas aulas para se perceber que esse método seria muito prejudicial para o aluno, para a sociedade, para a família e para os professores.
Essa ineficiência da educação a distância é visível e previsível, especialmente, nas escolas públicas,  onde são escassos os recursos para os professores ministrarem suas aulas até mesmo presenciais, quando se trata de aulas a distância os recursos simplesmente não existem, ou são muito precários . As ferramentas utilizadas pelos professores, em muitos casos, são recursos dos próprios docentes.
Essa falta de recurso é muito prejudicial tanto ao aluno quanto ao professor, e em longo prazo seria devastador para a educação e a formação dos alunos que estão em escolas públicas. Atualmente existe um abismo entre a formação de alunos de escolas particulares e a formação de alunos de escolas públicas, isso se dá principalmente porque a escola pública é “a escola para todos”  onde se percebe uma extrema tolerância com todo tipo de comportamento que não acrescenta nada de bom e edificante para a escola e ao próprio aluno.
Essa exclusão social e essa ineficiência da educação a distância está resultando em ações do Ministério Público e projetos de lei para impedir que o ensino remoto na educação básica seja contabilizado e validado dentro das horas letivas estipuladas pelo Ministério da Educação. O CNE (Conselho Nacional de Educação) recomendou que as aulas de ensino remoto sejam contabilizadas dentro das 800 horas obrigatórias e dos 200 dias letivos.
O ensino remoto, antes da pandemia do coronavírus, já estava sendo cogitado pelos governos estaduais e federal com uma possibilidade para o ensino médio nas escolas públicas. Essa possibilidade já vinha sofrendo críticas dos profissionais da educação e dos sindicatos dos professores.   
Em alguns estados como o Rio de Janeiro e Goiás onde essas aulas remotas já foram implantadas, os sindicatos dos professores e o Ministério Público pediram a suspensão dessas aulas porque entendem que são mais um fator que leva a exclusão dos alunos mais carentes, e ainda é possível colocar nessa conta de prejuízos para a educação  os alunos que precisam de um atendimento individualizado e aqueles com necessidades especiais.  
No estado de São Paulo o ensino a distância foi questionado pelo sindicato dos professores que entrou com uma ação no Ministério Público. Nas primeiras aulas de ensino a distância, ocorridas semana passada, um fato que revelou a falta de maturidade, comprometimento, responsabilidade e até de educação e respeito de alguns alunos pelos seus professores e seus colegas; o episódio em que alunos desrespeitam professores, enviam diálogos obscenos e demostram total desinteresse pela escola e pela educação deixou perplexos aqueles que não convivem com alunos em sala de aulas. É provável que nem mesmo os professores estavam preparados para essa falta de maturidade e comprometimento.
 As escolas particulares também já estão adotando essas aulas remotas, porém estão sofrendo críticas dos pais dos alunos que não veem eficácia nessas aulas e nem a mesma qualidade do ensino presencial porque esse meio de ensino exige do aluno muito mais responsabilidade, maturidade,  comprometimento e capacidade de organização.
A pandemia do coronavírus acabou se tornando para a educação um ensaio para a implementação do ensino remoto, e está demostrando que seria inviável e em longo prazo prejudicial, principalmente para os alunos mais carentes  com necessidades especiais.  
C M C 

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