China ganha ainda mais espaço nas exportações brasileiras.



A parceria estratégica Brasil-China-EUA - Diário do Comércio

China compra mais do Brasil e eleva participação na exportação para 40%

Em meio ao desaquecimento da demanda global, a China ganha ainda mais espaço nas exportações brasileiras, enquanto outros mercados perdem participação. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram 35,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, representando 40,4% das exportações, contra 28,6% em maio de 2019. No acumulado do ano, a alta registrada foi de 15,4%.
As vendas para a Ásia como um todo cresceram 27,7% em maio e 16,8% no ano, mostram dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. Ao mesmo tempo, os desembarques para os Estados Unidos encolheram 43,5% no mês e 28,9% no ano. Para a Argentina, a queda foi de 51,2% e 26,1% na mesma base de comparação.
A demanda asiática, sobretudo por produtos agrícolas, foi responsável por evitar uma queda maior das exportações brasileiras no mês passado, que caíram, pela média diária, 4,2% em relação a maio do ano passado. No ano, o recuo é de 4,5%.
"O bom desempenho exportador do agronegócio tem compensado o recuo observado para as exportações de produtos industrializados, conferindo resiliência ao setor exportador nacional e contribuindo para uma queda menos acentuada da atividade doméstica, em um contexto de queda progressiva do PIB global", diz o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, em nota que acompanhou a divulgação da balança.
O secretário destaca que o valor das exportações caiu em maio em função principalmente do "forte recuo dos preços internacionais". Por outro lado, o volume exportado cresceu 5,6%, com recordes históricos de embarques de itens como petróleo, açúcar, farelo de soja, café e carne bovina. No mês, houve crescimento de 51,1% nas vendas agropecuárias. Por outro lado, houve queda de 26,5% na indústria extrativa e de 15,9% na indústria de transformação.
Pelo lado das importações, houve, no mês passado, queda de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o secretário, a queda "moderada" é explicada por operações de nacionalização de duas plataformas de petróleo, no valor total de US$ 2,7 bilhões.
"Excluindo-se as aquisições de plataformas no valor total importado, observa-se que as importações em maio recuaram 21,7% pela média diária em relação a maio de 2019", explica. No ano, a queda nas compras é de 0,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Com uma queda mais acentuada nas exportações do que nas importações, o superávit da balança comercial em maio foi de US$ 4,5 bilhões, o pior registrado para o mês desde 2015. De janeiro a maio, o saldo foi de US$ 16,3 bilhões, também o mais baixo em cinco anos.
Ferraz afirmou que é esperada a continuidade "do bom desempenho das exportações do agronegócio, sobretudo com destino a Ásia", e um recuo mais acentuado das importações industriais, "que já vem ocorrendo de forma generalizada". Segundo ele, há "grande possibilidade" de o país ter um desempenho positivo para as exportações no resultado consolidado do segundo trimestre e manter-se entre as economias do G-20 menos afetadas nas suas relações comerciais com o mundo.
"A alta competitividade dos produtos agropecuários exportados pelo Brasil mantém a perspectiva de crescimento deste setor ao longo de todo ano. Esses produtos têm baixa elasticidade-renda, ou seja, ainda que o PIB mundial, China inclusive, venha a sofrer uma queda elevada, espera-se que a demanda por produtos agropecuários continue em alta", diz o secretário.
A Secex manteve sua projeção para a balança comercial em 2020, de superávit de US$ 46,6 bilhões, queda de 3% em relação a 2019. Segundo Ferraz, por ora, não há mudanças nos fundamentos que justifiquem alterações nas projeções para o final do ano. A próxima revisão será feita junto com o anúncio dos dados mensais de junho.