CMC - MÍDIA

Uma onda gigantesca de denúncias de assédio sexual comedidos dentro das escolas

Entenda o que é considerado assédio sexual dentro do ambiente ...

Lições dos abusos e assédios sexuais nas escolas do Rio

Sequência de denúncias fazem refletir sobre os jovens que estamos 

criando e as escolas que queremos para nossos filhos

Por Elizabeth Carneiro - Atualizado em 15 jun 2020, 10h48 - Publicado em 15 jun 2020, 10h29

Uma sequência de denúncias de assédio e de abuso sexual destinadas aos professores e colegas de alguns dos colégios de maior prestígio do Rio de Janeiro tem chocado os pais e a sociedade. O movimento Exposed teve seu início no Twitter, um espaço que pode ser utilizado com anonimato para denunciar, compartilhar e clamar por consequências a atos que as meninas consideram assédio, abuso, ou simplesmente geradores de desconforto na relação com o masculino.
O fervor que acometeu o Rio na última semana foi tão grande que ganhou as páginas dos jornais e revistas. Também foram abertos grupos de Whatsapp para discussão, desnudando o véu que encobre o assunto desde os primórdios da vida escolar. Nos grupos, que incluíam meninas de todos os colégios da cidade, foram postadas denúncias nominais a professores e colegas do sexo masculino, que acabaram gerando uma lista identificada com nomes de escolas, professores e disciplinas lecionadas nas instituições de ensino. Além disso, também circulou uma lista com os nomes de 350 meninos que elas notificaram como abusivos, “perigosos” de se relacionar.
Na sequência, tocadas pela iniciativa deflagrada pelo movimento feminino descrito acima, meninas que hoje são universitárias e no passado já haviam tentado fazer tais denúncias formais em seus colégios de ensino médio, se sentiram encorajadas a botar a cara na rua e provar que as denúncias contra os mesmos professores já foram feitas anos atrás. Hoje fora da escola, elas seguiram com a vida e já estavam resignadas de que os colégios preferiram fingir que nada acontecera.
Instituições de ensino frequentemente preferem não expor “a banda podre” que coloca em xeque sua reputação. Por meio de e-mails antigos, ex-alunas provaram suas tentativas frustradas de denúncias há anos, tendo obtido apenas a promessa de que “o colégio vai averiguar e tomar as providências cabíveis”.
Para o pleno entendimento do fenômeno social que foi inaugurado com esta profusão acalorada de denúncias, informações, emoções e também, por vezes, distorções da verdade, pondo em pauta a imperatividade de avaliação da fidedignidade de todas as informações que circulam nesta catarse coletiva, vou tentar separar o joio do trigo.
Antes de mais nada, é necessário separar “os acusados” que possuem características muito distintas em termos de intenções e comportamentos, para  viabilizar a busca de reais atitudes de justiça: os meninos colegas de classe e os professores.
Primeiro, vamos aos colegas de classe. Meninos sempre se valeram das meninas para (tentar) contar vantagem, uma forma de afirmar sua masculinidade. Entretanto, parece que nossos meninos, para serem notados como “populares” no ambiente escolar precisam se portar de forma desrespeitosa e continuar a objetificação da mulher.
A avaliação pejorativa no ambiente escolar sempre existiu. O tempo passa e os processos de afirmação e pertencimento ao grupo só mudam de modus operandi. Não que não fossem nocivas no passado, mas o que há alguns anos era mera fofoca da hora do recreio, ou uma expressão entre amigos como “que gata” ou até mesmo “que baranga” dito entre os dentes,  ou mesmo “já peguei aquela”, ao modo deles, hoje tem efeito multiplicador danoso. A diferença essencial agora é o uso da tecnologia e da internet como amplificadores. O WhatsApp dá velocidade às informações antes que elas possam se provar verídicas ou não e são um convite às famosas fake news.
Assim, os jovens criam e disseminam uma série de constrangimentos, como rankings das meninas mais bonitas às mais feias, uma forma clara de bullying, até criação de “legendas” detalhando o que já fizeram com cada uma, atrelando-as uma pontuação para si próprios. Ou seja, quanto mais a menina está no topo da lista, e ele conseguiu atos mais “íntimos” com ela, o valor dele cresce” entre os próprios meninos. As legendas variam de “me mamou” ou “dedei” a “interesseira” ou “o colégio inteiro já comeu”, dentre outras coisas ainda mais pesadas, acredite.
No contra ataque, as meninas criaram sua própria lista, categorizando os rapazes: de “assediador verbal” e “relacionamento abusivo” a alertas como “espalhou nudes” ou “é adulto e fica com meninas muito jovens”. Uma realidade nova que mais se parece com guerra entre os sexos do que uma busca de encontros afetivos, primeiras emoções de conexão, descoberta cautelosa da sexualidade de ambos e todos os despertares saudáveis da juventude.
Quem convive com jovens, sabe que as denúncias que agora vem à tona são uma panela de pressão que estava prestes a explodir. A geração que tem entre 13 e 17 anos hoje tem diversas peculiaridades: não apenas consome bebida alcoólica apesar da menor idade, como o faz em excesso; exerce a sexualidade de forma cada vez mais precoce; se ressentem de sentido na vida e, querem a satisfação imediata e como consequência frequente, deprimem, tentam suicídio e por vezes chegam a se automutilar para lidar com sentimentos como exclusão, desmoralização e invalidação de suas reais necessidades. Series juvenis como “Elite”, “Euphoria” e “13 Reasons Why” confirmam tais constatações.
Gostaria de destacar a presença de inúmeros meninos que não compactuam de tal comportamento. E pelo contrário, já são fruto de uma educação compassiva, alguém que não é educado para provar sua masculinidade através de distorções que o ser humano cria para salvaguardar sua autoestima. Eles são capazes de ficar numa festa até o fim para não deixar seus amigos “machões” transarem sem consentimento com uma menina que está alcoolizada dormindo num sofá, por exemplo. Acreditem, existem muitos assim: afetivos, fiéis a certos princípios de zelo ao próximo e que não apoiariam qualquer ato de subjugação vindo do sexo masculino ou feminino. Por isso temos que ter o cuidado de não rotularmos toda uma geração de meninos como seres insensíveis, covardes, machistas. Eles não são e nem deveriam se transformar numa lista a ser temida.
Existem também meninas, infelizmente, que no calor do movimento, e também por suas fragilidades psíquicas ou pela necessidade de pertencer, que  incluem injustamente meninos absolutamente adequados por um recorte deturpado, uma interpretação equivocada ou simplesmente fazem uma invenção maldosa como expressão de raivas contidas de sua própria história. A consequência disso é o risco de, no início do percurso estudantil, meninos que jamais ultrapassaram a linha tênue do que chamamos de saudável ou respeitoso, ficarem rotulados como “assediadores”. Há pessoas que carregam estigmas injustos para sempre, mudando assim o curso de uma história de vida de forma violenta. Um outro risco é a demonização da figura masculina, podendo gerar impactos sobre a forma de aproximação das mulheres com os homens.
A pergunta que fica para nós, pais, é: como educar meninos e meninas para a construção de seres humanos que se conectem pelos valores que possuem, em que a empatia seja o óbvio e as relações abusivas, de qualquer origem, sejam rejeitadas? Não podemos esquecer que quem educa esses meninos são mulheres também. Que movimento paradoxal está ocorrendo na nossa sociedade? Homens e mulheres ocupando, progressivamente, lugares tão semelhantes em casa e no trabalho; lutas de anos para a busca da igualdade e a agilidade da informação parecem estar gerando um certo retrocesso nas relações entre os sexos.
Você tem certeza sobre o jovem que está criando em casa? É hora de conversar com seu filho para que ele não se torne aquele que propõe o abuso (ou fique conivente diante dele).
Se o seu filho faz parte do grupo que está hierarquizando pessoas pela aparência e fazendo bullying com quem é julgado como menos perfeito pela beleza, qual a conexão que ele é capaz de criar com outro ser humano? Talvez ele responda que estava de “zoação”. Mas o limite da “zoação” é o dano psicológico nos outros. E isso esta geração está conseguindo como nenhuma outra.
Muitos jovens sofrem abusos verbais, sexuais, morais, dentro e fora de casa. O fenômeno iniciado pelo Exposed no Twitter é uma bela oportunidade para falarmos de educação, não apenas na escola, mas no que nós adultos estamos negligenciando, seja por ausência na vida dos filhos, seja por não querer enxergar a maldade que existe dentro das nossas próprias famílias. Estamos educando uma geração que claramente usa o ambiente virtual para se comportar diferente do que se mostra na mesa de jantar, na frente dos pais.
A segunda parte da questão se refere aos professores acusados de abusos. Diversas alunas utilizaram também o Twitter ou grupos de WhatsApp para denunciar casos de assédio sexual por parte dos professores, como pedidos de “beijinho” a meninas de 15 anos como condição para ir ao banheiro, afagos demorados no cabelo de meninas de 12 anos, carícias e abraços, e até  casos de meninas que tiveram seios, coxas e as nádegas tocados pelos professores.
Aproveitar-se da posição hierárquica e de admiração ou poder para obtenção de vantagens de intimidade é crime. Conheço muitas das meninas denunciantes em muitos colégios, fui procurada essa semana por uma legião de mães em estado de angústia e questionamento. Nós mães já passamos também por isso, no papel de vítimas, num passado em que pouco se falava sobre assuntos que incluíam a sexualidade. O medo de não acreditarem, serem cínicos preferindo dizer que o professor era “brincalhão” ou de ser percebida como aquela que deu espaço para tal gesto era o que nos impedia de gritar alto os absurdos encobertos pelas escolas.
Se muitas famílias lidam com abusadores dentro de casa até hoje (pais, padrastos, padrinhos, primos, amigos dos pais) varrendo a sujeira para debaixo do tapete, porque instituições tradicionais iam querer falar abertamente? O que não é confirmado, nunca existiu. Esta parece ser a estratégia de proteção da instituição, que não inclui em nenhum momento a relevância de preservação do aluno. Um discurso subliminar velado é “quem não estiver satisfeito, a porta da rua é a serventia da casa”, afinal temos uma lista imensa de pessoas ávidas por entrar em instituições tão respeitadas.
É alentador ver a  nova união feminina em torno de denúncias a atos repugnantes. Elas comprovam o quanto movimentos como #MeToo impactaram as novas gerações, que não toleram mais certas atitudes que tinham a condescendência das gerações anteriores. É a concretização do fim do medo de ser julgada moralmente ou de sofrer represálias. No entanto, é preciso considerar o perigo que uma acusação sem provas pode causar na vida dos incriminados. Todo este movimento estabelece uma intrincada dinâmica entre verdades e mentiras. A ideia não é desencorajar denúncias, pelo contrário, mas que elas sejam cada vez mais responsáveis.
Seja como for, cabe às escolas a obrigação de apurar e, se adequado, punir o assediador. A hipocrisia dos colégios precisa acabar. Uma escola que demite um professor por assédio deveria ser mais bem vista em nossa sociedade, ao invés de lutarem para serem percebidas como exemplo de correção e bons costumes. Correção não é ser puro, isento de dificuldades, mas sim encarar de frente toda e qualquer realidade que nos seja apresentada para uma avaliação justa.
Sigam em frente, jovens! Preparamos vocês e acreditamos no quanto podem mudar o curso da sua e das próximas gerações. Meninos e meninas corajosos para estar ao lado da justiça, capazes de aceitar uns aos outros nas suas diferenças, de se conectar pela empatia, compaixão, generosidade e tudo de abundante que possam dar e receber da vida.
Elizabeth Carneiro é psicóloga supervisora do Setor de Dependência Química e Outros Transtornos do Impulso da Santa Casa do Rio, especialista em Psicoterapia Breve e Terapia Familiar Sistêmica, diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química e treinadora oficial pela Universidade do Novo México em Entrevista Motivacional.


Por Pedro Bassan, RJ2


Um dos colégios mais tradicionais do Rio de Janeiro afastou dois professores após denúncias de assédio feitas por alunos nas redes sociais. Como mostrou o RJ2 neste sábado (13), as acusações contra docentes do Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul, partiram de alunas e ex-alunas que, desde o início do mês, usaram as redes sociais para cobrar apuração dos relatos.
Pais de alunos se juntaram à cobrança, e em grupos na internet também passaram a cobrar respostas dos gestores do colégio. A direção do Santo Inácio se manifestou pela primeira vez no dia 4 deste mês.
A instituição comunicou que as denúncias que chegam à administração sempre foram e sempre serão "investigadas a fundo, assim como os autores de condutas irregulares comprovadas são e serão punidos".
Na mesma carta, a escola anunciou a criação de um canal de ouvidoria para receber mais informações. A cobrança dos pais continuou, relatando que a escola foi "omissa" em relação a denúncias de assédio feitas no passado.
O pai de uma ex-aluna disse que nenhuma das filhas foi vítima de assédio, mas que diante da gravidade das acusações decidiu enviar uma carta à direção do Santo Inácio e cobrar providências.
"A questão é que a gente não pode continuar deixando essa coisa acontecendo no âmbito do colégio, são atitudes de uma certa forma que nunca foram tratadas de forma correta, é um machismo latente que ainda existe ali dentro", se queixou o pai.
Em uma mensagem enviada na última quarta-feira, a direção da escola reconheceu erros na apuração de fatos no passado e afirmou ter se redimido. Na sexta-feira (13), mais uma carta foi divulgada, dessa vez para anunciar medidas concretas, como a criação de um canal de ouvidoria independente para receber todas as denúncias.
"A gente não pode permitir que, pra não ofender a imagem de um colégio, que coisas como essas passem. E esse que foi o erro da direção, o erro da coordenação. A título de não deixar uma coisa manchar o nome da escola ou levar pra boca de 'matildes' o nome da escola", disse o pai.


Por André Barroso, TV Globo

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga denúncias de assédio sexual contra professores de três escolas particulares da capital. As acusações foram publicadas nas redes sociais e, nesta quarta-feira (27), três ex-alunas registraram ocorrência policial na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).
As jovens têm entre 18 e 20 anos e são ex-estudantes do colégio Projeção, no Guará. Segundo o grupo, os casos de assédio teriam ocorrido entre 2015 e 2017, quando elas eram menores de idade. Elas também apresentaram registros de conversas com os professores.
À reportagem, o colégio Projeção disse que "desligou os envolvidos, baseado em seu código interno de conduta". A escola disse ainda que é "intransigente na defesa do respeito entre as pessoas, e que está apurando o caso, na forma da lei e no estrito cumprimento do direito à ampla defesa".
As outras duas escolas citadas por estudantes nas redes sociais também demitiram os profissionais acusados.

À reportagem, uma das ex-estudantes detalhou o assédio. "Ele sempre me elogiou e sempre me deu uns abraços. Só que eu inocente, achando que não tinha problema. Ele só queria amizade para se aproximar do povo", disse a jovem de 18 anos.
"Ele começava a chamar para tomar um açaí, começava a chamar sair, para conversar na sala dele. E aí depois ele tentava beijar as meninas, ficava elogiando a foto das meninas e acontecendo várias coisas desse tipo."
TV Globo também teve acesso a uma conversa entre um professor e uma estudante. Veja transcrição abaixo:
Professor: Oi como você está? Sonhei com você essa noite.
Aluna: Oi, estou bem e você?
Professor: Velho, a gente tinha se pegado no sonho. Acordei pensando, gente, como assim, uma pessoa que quase não falo com ela e sonho ficando com ela.
A aluna não respondem à mensagem e, no dia seguinte, o professor mandou um novo texto: "Bom dia minha querida. Vi que nem me respondeu. Fica chateada comigo não".
O advogado que representa as jovens, Wesley Rocha, disse que as jovens demoraram para fazer as denúncias por receio. "Elas tinham muito medo. Muito medo de represália, muito medo até mesmo do íntimo, do pessoal delas."
"Então a partir do momento que elas adquiriram a maioridade, aí começaram a se encorajar, né. E quando uma das vítimas veio a público nas redes sociais, as outras tomaram coragem, estão tomando coragem pra vir até a delegacia."

O que dizem as escolas

Outras denúncias publicadas nas redes sociais nos últimos dias também apontam professores de mais duas escolas como autores de assédio contra estudantes. Veja abaixo o que dizem as instituições:
O colégio CCI, em Samambaia, informou que demitiu três professores e afastou um quarto, enquanto os fatos estiverem sendo apurados. A escola disse também que convidou os envolvidos e familiares a formalizar a denúncia e que registrou as informações, ouviu ambos os lados e encaminhou os relatórios às autoridades competentes para as providências legais.

 A primeira medida que tomamos foi o desligamento imediato de dois professores do Ensino Médio. Em seguida, realizamos a denúncia ao Conselho Tutelar e à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, com a entrega dos relatos de abusos cometidos e, também, as evidências que recebemos.  Reforçamos que continuaremos a agir, severamente e com respostas efetivas, a todas as denúncias recebidas e que encaminharemos aos órgãos competentes, sempre que necessário. Não toleramos nenhuma violação de direitos de nossos estudantes e incentivamos que qualquer denúncia seja realizada ao nosso comitê interno, pelo e-mail comitedeprotecao@marista.edu.br. Inclusive, nosso comitê pode ajudar a todos os estudantes que passam por situações de abuso em qualquer outro espaço, mesmo que não seja no ambiente do colégio. Repudiamos condutas impróprias e que deixam marcas na vida das vítimas. Somos solidários com as ex-alunas e nos colocamos à disposição para poder apoiá-las nesse momento. Reiteramos nosso apoio à mobilização criada pelas ex-estudantes para denúncias e apoio mútuo. Agradecemos pela coragem e iniciativa de todas as mulheres que estão lutando pela visibilidade de abusos sofridos e por nos ajudarem a tornar nossos espaços Maristas cada vez mais seguros."

Já o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF) disse que considera as práticas inaceitáveis e que repudia toda prática de assédio em ambiente escolas.

A entidade também recomendou que haja muita prudência na apuração dos fatos, pois a experiência tem demonstrado que pode haver assédio, e também as conhecidas fake news, que acabam prejudicando a vida de um profissional.
Colégio Marista Champagnat
"O colégio Marista Champagnat, de Taguatinga, informou que desligou todos os colaboradores envolvidos nas denúncias, mas não disse quantos. A escola disse ainda que denunciou o caso ao Conselho Tutelar e à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, entregando os relatos de abusos cometidos e as evidências que recebeu.O Colégio Marista Champagnat – Taguatinga tomou conhecimento, ontem (25 de maio), de denúncias de ex-estudantes referentes à má conduta de professores da instituição. Por meio de nosso canal de denúncia, do Comitê Marista de Proteção Integral de Crianças e Adolescentes, recebemos relatos e evidências.
A primeira medida que tomamos foi o desligamento imediato de dois professores do Ensino Médio. Em seguida, realizamos a denúncia ao Conselho Tutelar e à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, com a entrega dos relatos de abusos cometidos e, também, as evidências que recebemos.
Reforçamos que continuaremos a agir, severamente e com respostas efetivas, a todas as denúncias recebidas e que encaminharemos aos órgãos competentes, sempre que necessário. Não toleramos nenhuma violação de direitos de nossos estudantes e incentivamos que qualquer denúncia seja realizada ao nosso comitê interno, pelo e-mail comitedeprotecao@marista.edu.br. Inclusive, nosso comitê pode ajudar a todos os estudantes que passam por situações de abuso em qualquer outro espaço, mesmo que não seja no ambiente do colégio.
Repudiamos condutas impróprias e que deixam marcas na vida das vítimas. Somos solidários com as ex-alunas e nos colocamos à disposição para poder apoiá-las nesse momento. Reiteramos nosso apoio à mobilização criada pelas ex-estudantes para denúncias e apoio mútuo. Agradecemos pela coragem e iniciativa de todas as mulheres que estão lutando pela visibilidade de abusos sofridos e por nos ajudarem a tornar nossos espaços Maristas cada vez mais seguros."
Já o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF) disse que considera as práticas inaceitáveis e que repudia toda prática de assédio em ambiente escolas.
A entidade também recomendou que haja muita prudência na apuração dos fatos, pois a experiência tem demonstrado que pode haver assédio, e também as conhecidas fake news, que acabam prejudicando a vida de um profissional.
Leia mais notícias sobre a região no G1 DF


Por G1 DF e TV Globo

Um professor da rede pública do Distrito Federal foi afastado da sala de aula após denúncias de assédio sexual contra duas estudantes do Centro de Ensino Médio 1 (CEM), em Sobradinho. Em nota enviada ao G1, a Secretaria de Educação disse que abriu um processo administrativo para apurar a conduta do educador (leia íntegra mais abaixo).
Ainda segundo a pasta, o funcionário vai ficar em trabalho administrativo até o fim da investigação e "foi colocado à disposição da Regional de Ensino".
Na última terça-feira (18), vestidos com camisetas pretas (veja foto acima), alunos do CEM 1 fizeram um protesto na escola. O grupo pediu o afastamento do professor que teria se oferecido para ir ao banheiro com uma estudante e que costumava fazer "brincadeiras de mau gosto".
Em nota, a secretaria informou ainda que durante uma reunião, os pais das duas adolescentes exigiram que o professor não desse mais aula. Já o educador "pediu desculpas" sobre o ocorrido.

Outro caso

Em junho do ano passado, a Secretaria de Educação do Distrito Federal afastou um sargento da Polícia Militar que atuava no Centro Educacional 03, que também fica em Sobradinho. A medida foi tomada após alunas denunciarem casos de assédio sexual dentro do colégio.
À época, o então secretário de Educação, Rafael Parente, confirmou pelas redes sociais o afastamento do militar e disse que a pasta tinha aberto uma sindicância para investigar o caso.

O que diz a Secretaria de Educação

Em nota enviada ao G1 nesta sexta-feira (21), a Secretaria de Educação encaminhou o seguinte posicionamento:
A Secretaria de Educação abriu um processo administrativo disciplinar (PAD) para apurar a denúncia contra o professor. Ele já foi colocado à disposição da regional de ensino. Ficará em trabalho administrativo até o final da apuração.
Na quarta-feira houve uma reunião na regional com as famílias das duas adolescentes (mãe de uma e pai e mãe de outra) com a participação do professor, que pediu desculpas. As famílias solicitaram que ele não dê mais aulas na escola."
Leia mais notícias sobre a região no G1 DF


Alunas do Colégio Santo Inácio denunciam assédio de professores

Em circular enviada aos pais nesta quinta (4), direção afirma que 'não fecha os olhos' aos problemas, e que autores de condutas irregulares serão punidos




Dois professores do ensino médio do Colégio Santo Inácio foram acusados nesta quinta-feira (4) de assédio sexual por alunas da escola. Elas fizeram seus relatos no Twitter, em páginas que divulgam denúncias anonimamente, como a “Relatos de assédio RJ”, ou usando a hashtag #ExposedRJ. Ambas as iniciativas funcionam, na prática, como um “disque-denúncia” nas redes sociais, e vêm ajudando a jogar luz sobre práticas abusivas, principalmente de professores sobre estudantes, no ambiente escolar.
A escola enviou um comunicado aos pais no mesmo dia. Nele, afirma que “as recentes denúncias a supostos casos de assédio” envolvendo profissionais e alunos do colégios os “surpreende e entristece”. Mais adiante, diz que o estabelecimento “não fecha os olhos” a problemas ocorridos internamente, e que todas as denúncias serão investigadas – e os autores de condutas irregulares, punidos. O colégio também anuncia a abertura de um canal interno para que possa “tomar ciência dos detalhes do ocorrido e apurar adequadamente as circunstâncias para ouvir todas as partes envolvidas e dar encaminhamentos legais aos fatos verificados”.
Procurado por VEJA RIO, o Colégio Santo Inácio enviou nota na qual afirma repudiar todo e qualquer ato de assédio. Comunica também que já abriu procedimento interno para apurar informações às quais teve acesso pelas redes sociais. De acordo com a direção da escola, nenhuma denúncia foi formalizada até agora pelo canal interno, a partir do qual terá condições de tomar as providências jurídicas cabíveis, se aplicáveis.

“Ele me abraçou por trás e colocou as mãos nos meus seios”, diz ex-aluna

VEJA Rio conversou com ex-alunas do Colégio Santo Inácio que relataram caso de assédio e teve acesso às denúncias enviadas à escola em 2018

Por Lauro Neto - Atualizado em 12 jun 2020, 21h59 - Publicado em 11 jun 2020

Mãos nas coxas, no sutiã e nos seios de estudantes menores de idade. Esse é o teor de alguns relatos feitos por ex-alunas do Colégio Santo Inácio contra um professor do ensino médio. As acusações de assédio vieram à tona na semana passada, através de denúncias anônimas feitas pelo Twitter e reveladas por VEJA Rio, que conversou com cinco estudantes formadas na tradicional instituição de ensino do Rio. A pedido das entrevistadas, seus nomes foram mantidos em sigilo.
Universitária, Z* tinha 14 anos e cursava o 1º ano do Ensino Médio quando, conta ela, começou a ser assediada pelo professor que hoje é alvo de acusações. “Desde o início do ano letivo, ele me assediava dentro da sala, às vezes no meio da aula mesmo. Primeiro, ele perguntou se eu tinha alguma irmã mais velha que se parecesse comigo. Quando disse que não, falou que era uma pena. Ele disse isso no meio da aula, com amigas minhas presentes, fiquei muito constrangida”.
Segundo Z*, neste mesmo ano, deu-se outro episódio. “Eu estava fazendo um exercício na aula dele, e ele estava passando pra conferir o dever das pessoas. Quando chegou a minha vez, ele disse que tinha alguma coisa nas minhas costas e perguntou se eu queria que ele tirasse. Obviamente falei que não. Mesmo assim, ele botou a mão nas minhas costas e puxou a alça do meu sutiã sem o menor pudor. Ele ainda me encarou e riu. Desde então, fiquei com muito medo de ficar perto dele”, relembra ela, que se formou no Santo Inácio em 2016, hoje tem 21 anos e é estudante de ciências da computação.
Z* revelou que seu tormento continuou até o 3º ano. A coragem de contar aos pais só surgiu na semana passada, quando o colégio divulgou um comunicado e um endereço de e-mail para receber denúncias de possíveis vítimas. Sua mensagem foi uma das primeiras enviadas. “Só consegui falar com meus pais recentemente devido a esse alarde todo e por eles terem me perguntado se eu sabia de alguma coisa. Eu tinha muita vergonha. Ele já me abordou para falar que eu estava com um corpo bonitinho e que queria saber o que eu fazia pra ficar assim”, contou a VEJA Rio.
Y*, outra ex-aluna, formada em 2016, relatou que foi vítima do mesmo professor aos 15 anos. “Depois da entrega de uma prova corrigida, fui até a mesa dele pedir revisão. A aula havia acabado, os outros alunos já tinham saído da sala. Ele estava sentado e me envolveu com o braço. Ficou me segurando pelas coxas enquanto revia a minha prova. Fiquei paralisada, tensa, com medo de me mexer”, diz. Dois anos depois de se formar no colégio, Y* soube de uma aluna que estava reunindo depoimentos contra o docente e decidiu romper o silêncio. “Em 2018, essa aluna estava no 3º ano e queria entregar os relatos à coordenação”.
W*, que hoje trabalha como pesquisadora da UFRJ, contou a VEJA Rio que já havia levado as acusações de assédio contra o professor à coordenação em 2016. “Fiquei indignada quando li a carta enviada pela direção do colégio aos pais na semana passada, revelando surpresa com ‘recentes denúncias em relação a supostos casos de assédio envolvendo profissionais e alunos’. Eles já sabiam”.
A pesquisadora contou que, ao levar as denúncias adiante em 2016, ouviu como resposta que a coordenação estava ciente do problema e que o acusado estaria tendo uma última chance: “A gente acreditou. Dois anos depois ele continuava fazendo as mesmas coisas. O colégio sempre soube, mas abafou o caso.”
VEJA Rio teve acesso à cópia do e-mail enviado à direção do colégio em 11 de outubro de 2018. Na mensagem foi anexado um arquivo que reunia denúncias contra o docente. “Enviamos esse e-mail a pedido da diretora em 2018. Ela disse que iriam averiguar as denúncias e decidir o que fazer, mas não tivemos nenhum retorno”, conta X*, 19 anos, hoje estudante de administração.
Alguns desses relatos antigos foram reenviados na última semana para o canal de ouvidoria criado pelo Colégio Santo Inácio. Em um deles, a ex-aluna V* afirma que o professor colocou as mãos em seus seios. “O recreio tinha terminado e a turma estava voltando para a sala. Enquanto a aula não começava, eu estava usando uma rede social e parei para tirar uma foto. O professor, ao ver que eu estava com a câmera aberta, se aproximou de mim pelas costas e pediu para entrar na foto. Quando fui tirar (a foto), ele me abraçou por trás e colocou as mãos nos meus seios”, escreveu.
V* contou que ainda testemunhou um beijo do professor em uma aluna. “Ela tinha passado o intervalo na sala, dormindo. A turma começou a se dirigir de volta, as luzes foram acesas e a aluna não acordou… o professor se debruçou sobre ela e lhe deu um beijo. Ela acordou com ele em cima dela, sem saber o que tinha acontecido”, escreveu. A situação foi descrita por outra ex-aluna, que também enviou o relato à escola.



Registro de e-mail enviado ao colégio
Registro de e-mail enviado ao colégio por ex-aluna em 5 de junho Arquivo pessoal/Reprodução
Arquivo pessoal/Reprodução




Ex-aluna ainda relatou que já havia levado as denúncias à direção em 2018
Ex-aluna ainda relatou que já havia levado as denúncias à direção em 2018 Arquivo pessoal/Reprodução

Procurado por VEJA Rio, o Colégio Santo Inácio confirmou que já recebeu ao menos cinco denúncias pelo e-mail da ouvidoria e emitiu a seguinte nota por meio de sua assessoria de imprensa: “O Colégio Santo Inácio repudia todo e qualquer ato de assédio e já abriu procedimento interno para apurar todas as informações e denúncias que recebeu. Foi criado ainda um canal de ouvidoria pelo qual membros da comunidade escolar podem fazer denúncias de forma sigilosa”.
Ao menos seis cartas de ex-alunos, de diferentes anos, já foram enviadas à direção do colégio. Em uma delas, pede-se a instauração de procedimento interno e o afastamento preventivo dos professores envolvidos até a completa apuração dos fatos; treinamento anual de funcionários e funcionárias sobre combate e prevenção ao assédio; e a instalação de uma política de tolerância zero contra assédio a partir de um canal formal de denúncias que conte com um código de conduta que preserve a vítima.
Em outra missiva, 150 ex-alunos, que assinaram o texto, também cobram providências. “Cumpram o seu papel. Não sejam omissos. Sejam os educadores que vocês nos prometeram ser. Os fatos estão expostos. As cicatrizes são invisíveis e bem mais profundas do que podem imaginar, mas, hoje, podemos vê-las através das mensagens das inúmeras vítimas”, diz um trecho da mensagem.
Na última quarta (10), um novo comunicado, foi enviado aos alunos, antigos alunos, familiares e colaboradores. Abaixo, o texto completo:
“Vimos hoje, através desta carta, declarar nosso profundo pesar diante das manifestações que nos têm chegado nas últimas semanas. Não queremos escrever a vocês de forma protocolar, como mais um comunicado oficial, mas com a humanidade que nos une em sofrimento, humildade e garra para lutar pelo bem maior. Todas as lógicas baseadas em divisão e exclusão (nós x eles, gênero x gênero etc), que têm imperado na sociedade em geral, como vocês apresentam, atingem e machucam a todos, mulheres e homens, independentemente do cargo, função ou situação em que se encontrem, em qualquer lugar.
Neste momento que estamos atravessando, queremos, antes de tudo, nos solidarizar com todos e com cada um.
Para o presente e o futuro nos cabe agir. Para momentos idos, mencionados em relatos que nos chegam agora, em que não fomos diligentes o suficiente, ou que nossa atenção estava em cumprirmos nossas funções cotidianas, e a escuta não foi a esperada, nos redimimos, embora sempre tenhamos procurado escutar a todos, pois a todos é dado o direito de voz. Como vocês, também podemos não ter compreendido alguns sentimentos, misturados aos esperados nas diversas faixas etárias, que nos chegavam às vezes de forma confusa e contraditória. Mas, concordamos, se já se apresentavam como desconfortos, mereciam mais tempo, atenção e apuro.
No entanto, acreditamos que, mesmo na desolação, há espaço para luz e aprendizado. E nesse sentido, queremos agradecer a vocês e pedir que nos ajudem a construir esse sonhado mundo melhor, de justiça, fraternidade e solidariedade, a começar pelo CSI, mas também alcançando outros lugares em que estivermos estudando ou trabalhando.
As estruturas e organizações sociais estão cada vez mais nas mãos de mulheres que conquistaram seu espaço numa luta que vem de décadas. Olhar com Amor esse cenário de conquistas por igualdade nos enche de orgulho e coragem para superar os desafios de nossa geração na qual todos, homens e mulheres, precisam de apoio e respeito.
Hoje, o CSI conta, em seus quadros de gestão, com um número cada vez maior de mulheres, que alcançaram essas funções com esforço, muitas lutas e dedicação. É a diversidade que se concretiza. Rompemos barreiras! E essas mulheres também querem estar com vocês nessa missão. As alunas, há três anos, propuseram a criação de um coletivo feminino CSI, que foi prontamente acolhido pelo colégio, no qual discutimos muitas questões relacionadas ao nosso papel na sociedade, com vídeos, palestras e conversas. Vamos avançar e crescer juntos!
Nosso compromisso com vocês, hoje, direção, coordenações, orientações e professores, é fazer do CSI cada vez mais um lugar de acolhimento, de escuta, de justiça e real formação inaciana. Comprometemo-nos de que continuaremos a fazer dele a segunda casa de todos aqueles que frequentaram, frequentam e frequentarão suas salas, corredores e pátios, e estarão, ao sair, com seus rostos sorridentes estampados em cada quadro de nossas paredes.
Nesse sentido, estamos elaborando propostas concretas que, quando apresentadas, esperamos contar com sugestões, também concretas, de todos vocês. Nesse sentido, continuamos a acolher as propostas que nos têm chegado por diversos canais de comunicação do colégio.”
*A pedido das estudantes seus nomes foram preservados.

Alunas denunciam assédio sexual praticado por 5 professores da rede particular

“Eu tinha 17 anos, ele tinha 37”, conta uma das meninas. Campo Grande News viu relatos que envolvem pelo menos 5 professores

Por Izabela Sanchez | 04/06/2020 15:19



Campo Grande News - Conteúdo de Verdade
“Ele puxou meu cabelo e perguntou se eu gostava”. É o que denuncia adolescente, aluna do Ensino Fundamental em uma das muitas escolas da rede particular de Campo Grande.
A denúncia ainda não chegou à polícia, mas é só uma das centenas que surgiram contra, pelo menos, 5 professores da cidade nesta semana no Twitter, com a tag #exposedcg, parte um movimento nacional de relatos de assédio sexual e até estupro. Por aqui, o que chama atenção extra é o número de denúncias de assédio em sala de aula.
Na rede particular, a reportagem identificou ao menos seis escolas diferentes onde atuam esses professores. Muitas vezes, mais de uma é local de trabalho do mesmo profissional. Em outros casos, o professor peregrina por colégios da Capital, depois de demissões por comportamento inadequado.
 “Ele já passou a mão na bunda da minha melhor amiga e falava que era sem querer”, contou adolescente de 13 anos sobre um deles.



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“Ele falou pra ela: que pena que tinha gente, queria aproveitar um tempo a sós com você”.

Os relatos abrangem práticas contra meninas de diferentes idades. Vão desde comportamentos às vezes difíceis de serem identificados como ilegais: “Ele passou a mão no meu pescoço”, contou uma das estudantes, ao relatar o desconforto ao procurar o professor, com a sala de aula cheia, para tirar uma dúvida na carteira onde ela estava sentada.
Abrange, também, escalada de crimes mais sérios, como enviar fotografias do corpo, os famosos “nudes”, para meninas com idades de 14 até 17. “Eu tinha 17 anos, ele tinha 37. Me mandava nudes o tempo todo falava de sexo 24hrs por dia”, contou uma das vítimas, hoje mais velha.



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“Até que eu tive que falar que não me sentia confortável com a diferença de idade e ele parou”.




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Eu nunca vou esquecer do que ele fez comigo”.




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Muitas vezes, as meninas relatam que denunciaram os abusos à direção das escolas, sem que nenhuma providência fosse tomada.
Um dos professores que a reportagem apurou, trabalha em duas diferentes escolas hoje, conforme indicam prints e relatos.
Ele costuma conversar com as alunas pelas redes sociais. Um indício, também, de que os pais e mães precisam acompanhar melhor o que crianças e adolescentes conversam no celular e quais redes sociais utilizam.
Um das conversas foi compartilhada no Twitter:
- “Já sei. Tá querendo aulas particulares, né? Não acredito que você tá perto de reprovar.

- kkkkk
-você faz isso com todo mundo que reage seus posts?

- Só com aquelas:
1) que reagem sem nem terem me adicionado como amigo
2) que me deixam curioso sobre os motivos de estarem me stalkeando
3) que eu acho gatinhas (sei que não deveria, mas foda-se)”.

“Porque eu não consigo deixar de ser homem, pra ser professor”.

Colégio demite professores após alunas denunciarem assédio sexual


 O Colégio São Judas Tadeu, em Picos, no Sul do Estado, demitiu dois professores acusados de praticar assédio  sexual contra alunas da escola. Os casos vieram à tona neste fim de semana com a campanha  #ExposedPicos, onde as vítimas relataram as situações através de postagens no Twitter.
Além dos dois professores demitidos, seis  foram afastados pela direção do colégio. O diretor da escola, Daniel Bonfim, disse ao Cidadeverde.com que o movimento das alunas é justo e acionou o setor jurídico para que todas medidas cabíveis sejam adotadas, inclusive denúncias à polícia.
O diretor afirma que o  colégio "abomina" e repudia veemente assédio sexual. Nos casos dos professores demitidos, Daniel afirma que prints de mensagens confirmaram as denúncias da alunas.   O Ministério Público  Estadual também será acionado.
A escola não quer que os professores acusado tenham contato com as alunas. "A gente está abrindo reuniões, com as família, psicólogas, alunas , professoras mulheres e coordenadoras para dar suporte a essas alunas. Por causa dessas pessoas que a gente repudia [assediadores] mancha a imagem de uma classe tão bonita quanto a dos professores", disse o diretor.
O colégio abriu, ainda, um canal de denúncias anônimas através do e-mail colegio.csjt@outlook.com.
Outros colégios de Picos também foram citados no #ExposedPicos, mas o Cidadeverde.com não conseguiu contato com nenhum deles através de telefone.  Por meio de nota, as escolas afirmam que estão adotando providências.
Colégio Machado de Assis