Pesquisa EDUCAÇÃO NÃO PRESENCIAL NA PERSPECTIVA DOS ESTUDANTES E SUAS FAMÍLIAS

Pesquisa Datafolha mostra que as redes públicas continuam atuando para aumentar a oferta de atividade não presencial aos estudantes na pandemia e a maioria dos responsáveis apoia modelo híbrido no retorno às aulas
• A pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias foi encomendada ao Datafolha pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, com o objetivo de fornecer às redes públicas de ensino dados e evidências que ajudem no planejamento de ações na pandemia e na volta às aulas.
• Pesquisa mostra que passou de 74% para 79% o percentual de alunos das redes públicas que recebem algum tipo de atividade pedagógica não presencial; crescimento é maior nas regiões Norte e Nordeste.
• E que 31% dos pais e responsáveis temem que os estudantes desistam da escola se não conseguirem acompanhar as aulas não presenciais. Por outro lado, demonstra que alunos com mais contato com seus professores se dedicam mais tempo aos estudos e correm menor risco de evasão.
• Sobre o aspecto psicológico dos estudantes, 64% dos responsáveis dizem que estão ansiosos, 45% irritados e 37% estão tristes nesse período. E 87% temem ser contaminados pelo novo coronavírus na volta às aulas;
• 89% dos responsáveis defendem a continuidade das atividades em casa junto com as aulas presenciais no retorno às aulas.
• Foram realizadas 1.028 entrevistas por telefone com pais ou responsáveis por 1.518 estudantes de escolas públicas municipais e estaduais com idade entre 6 e 18 anos, entre os dias 11 e 20 de junho de 2020.
São Paulo, 21 de Julho de 2020 - Apesar dos muitos desafios impostos pela crise do novo coronavírus à educação brasileira, a rede pública de ensino do país tem se mobilizado para ampliar a oferta de atividades não presenciais aos estudantes. É isso o que mostra a segunda pesquisa Datafolha, encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, realizada com o intuito de fornecer informações aos gestores públicos sobre a educação na pandemia e apoiá-los na tomada de decisões. A pesquisa EDUCAÇÃO NÃO PRESENCIAL NA PERSPECTIVA DOS ESTUDANTES E SUAS FAMÍLIAS foi realizada de 11 a 20 de junho de 2020 com 1.028 pais ou responsáveis por 1.518 estudantes de escolas públicas municipais e estaduais brasileiras, com idade entre 6 e 18 anos, dos anos iniciais, finais (1º ao 9º ano) e Ensino Médio. As entrevistas foram por telefone. A primeira pesquisa Datafolha sobre o tema foi feita de 18 a 29 de maio de 2020.
"Temos que combater esse sentimento de que o ano está perdido. As atividades de ensino não presencial não substituem a sala de aula, mas podem minimizar os prejuízos do fechamento das escolas até que um retorno gradual e seguro seja possível. Os números mostram que as redes públicas estão fazendo um grande esforço para se adaptar a esse momento", diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann.
Passou de 74% para 79% o percentual de alunos das redes públicas que recebem algum tipo de atividade pedagógica não presencial durante a pandemia. A constatação compara os resultados da primeira e da segunda onda de pesquisa Datafolha, realizadas em um intervalo de cerca de um mês.

O percentual cresceu mais nas regiões Norte e Nordeste - as duas na primeira etapa da pesquisa, haviam apresentado os resultados mais baixos do país. A faixa de ensino que demonstrou mais crescimento foram os anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). Enquanto houve variação em torno de 2 pontos percentuais nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, no Nordeste foi de 9 pontos e no Norte, de 8 pontos.
Nos anos iniciais, aumentou de 70% para 79% a oferta de atividades, enquanto os anos finais (6º ao 9º ano) passou de 73% para 76%. No Ensino Médio, a variação foi de 86% para 84%.

"Os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de estarmos atentos às desigualdades sociais, pois as populações mais vulneráveis são justamente aquelas com menor acesso à educação não presencial. Nota-se o esforço das redes de ensino em ampliar a oferta dessas atividades de maneira abrangente, mas ressaltamos a importância de um olhar com equidade e integrado com as famílias, que estão se desdobrando para acompanhar os estudantes", diz Patricia Mota Guedes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social
Evasão Escolar
A percepção de risco de evasão escolar pelos pais e responsáveis continua igual ao primeiro levantamento, em 31%. Porém entre os que têm três ou mais estudantes em casa, esse índice chega a 38%. O receio da evasão é agravado por novos dados colhidos pela pesquisa: o aumento da falta de motivação dos estudantes para as atividades em casa, que passou de 46% para 53%; e o índice dos que percebem dificuldade na rotina das atividades em casa, que subiu de 58% para 61%. Nas famílias com três ou mais estudantes em casa, esse índice chega a 67%.
Como contraponto ao medo de evasão, a pesquisa aponta que a proximidade com o professor pode estimular os estudantes nos estudos. De maneira geral, 82% dos alunos se dedicam mais de uma hora por dia aos estudos e 29% mais de três horas. Entre os que têm contato frequente com o professor, percebe-se uma tendência de maior dedicação, sendo 31% para aqueles com mais de três horas, contrastando com 26% entre os que não têm esse contato nessa mesma carga horária.

Além disso, metade dos responsáveis considera que os estudantes estão evoluindo no aprendizado com as atividades escolares em casa. O índice é mais alto entre os estudantes dos anos iniciais.


"Uma evasão dessa proporção seria dramática para o país, por isso é muito importante que as redes de ensino reforcem os laços dos estudantes com a escola, mesmo à distância. O papel do professor na manutenção desse vínculo é muito importante, e vai ser preciso uma atenção especial à saúde mental e física desses profissionais, no meio de tantos desafios", diz Daniel de Bonis, da Fundação Lemann.
Aspecto psicológico dos estudantes
Nesta edição da pesquisa Datafolha, foi investigado o aspecto psicológico dos estudantes na pandemia. Além do sentimento de ansiedade e irritação, muitos temem a volta às aulas por medo da contaminação ou por não conseguir acompanhar as atividades.
Para 64% dos pais ou responsáveis, os estudantes estão ansiosos, 45% estão irritados, 37% tristes e 23% com medo do retorno à escola. Quanto maior é o número de estudantes em uma só casa, maior é essa percepção. Nas residências com três ou mais alunos, 72% estão ansiosos, 63% irritados, 50% tristes e 34% com medo de voltar à escola.
O medo da contaminação pelo novo coronavírus no retorno às aulas é uma preocupação para 87%, enquanto 49% temem não conseguir acompanhar o volume das atividades e 43% não conseguir acompanhar as aulas. Entre os mais pobres, é maior o medo de não conseguir acompanhar o volume das atividades (60%) e o ritmo das aulas (53%).

Pais defendem volta às aulas no modelo híbrido
Para 89% dos responsáveis pelos estudantes, o retorno às escolas deve seguir um modelo de aulas presenciais conciliadas com as atividades em casa. O maior apoio a esse formato é na região Sul (94%).
Os responsáveis também responderam sobre o que valeria a pena fazer para que o estudante não perca o ano escolar de 2020:
• 73% defendem ter aulas aos sábados - o menor apoio a esse modelo está na região Norte (62%);
• 72% citam a prorrogação do ano letivo de 2020 para 2021 - o maior apoio à ideia está na região Centro-Oeste (80%);
• 68% defendem ter mais horas de aula por dia - maior apoio na região Nordeste (75%);
• 63% citam ter aulas em dias alternados - com menor apoio ao modelo nas regiões Norte e Centro-Oeste (42%).


PERFIL - PESQUISA
Perfil dos estudantes
• Gênero
47% feminino
53% masculino
• Por Idade
39% 6 a 10 anos
34% 11 a 14 anos
27% 15 a 18 anos
• 5% tem algum tipo de deficiência
• Cor declarada
45% pardos
37% brancos
9% pretos
2% amarelos
1% indígenas
6% outros.
Perfil dos Responsáveis

• Gênero
30% masculino
70% feminino
• Idade
4% de 18 a 24 anos
28% de 25 a 34 anos
43% de 35 a 44 anos
23% de 45 a 59 anos
2% mais de 60 anos
• Parentesco
63% mãe
24% pai
6% avô/avó
4% tia/tio
3% irmão/irmã
4% padrasto/madrasta
• Cor declarada
46% parda
31% branca
14% preta
2% amarela
1% indígena
5% outros.
• Estudantes na casa
59% 1 estudante
30% 2 estudantes
11% 3 ou mais estudantes
• Renda das famílias
73% até dois salários mínimos
13% de 2 a 3sm
7% de 3 a 5 sm
4% de 5 a 10 sm
1% mais de 10 sm
2% recusa/não sabe
• Renda na pandemia
50% teve a renda reduzida
36% ficou igual
14% a renda aumentou
• Residência
36% vivem em capital
ou região metropolitana
64% no interior
Mais informações:
Assessoria de Imprensa - Fundação Lemann
Rení Tognoni - reni@analitica.inf.br - cel. 11 99151-6164
Juliana Neves - juliana.neves@analitica.inf.br - cel. 11 97320-4048
Assessoria de Imprensa - Itaú Social
Elaine Alves - elaine@tamer.com.br - cel. 11 97514 0799
Ana Claudia Bellintane - anaclaudia@tamer.com.br - cel. 11 99849 5628