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Vereadora e Coronel Márcia Crystal intimidam um policial militar


Toda a conversa teria ocorrido por causa que o policial guinchou o carro da vereadora que estava com licenciamento vencido em Marília — Foto: TV TEM/ Reprodução

Vereadora e Coronel  Márcia Crystal intimidam um policial militar em Marília 


Um policial militar foi transferido depois de guinchar o carro de uma vereadora de Marília (SP) que estava com o licenciamento vencido e os pneus gastos, segundo ele. A ocorrência aconteceu no domingo (16), mas ganhou repercussão na cidade nesta sexta-feira (21).


De acordo com o que a TV TEM apurou, a situação aconteceu depois que a vereadora Daniela D'Avila Alves, conhecida como Professora Daniela (PL), ligou para a tenente-coronel Márcia Crystal pedindo para que o policial não guinchasse o seu carro, que estava com a filha dela no momento da apreensão.


Em seguida, a oficial da PM ligou para o policial que guinchou o veículo e disse que ele deveria ter "bom senso" ao exercer suas funções ou seria transferido.



Na ligação a que a TV TEM teve acesso, o policial explica que estava na Avenida Cascata fazendo a autuação de um veículo quando a filha da vereadora passou pelo local.


Depois de consultar no sistema, ele diz que constatou que o carro não tinha licenciamento e abordou a filha da vereadora na Rua Carlos Botelho. O policial informou, no áudio, que deu a oportunidade para que ela fizesse o pagamento via aplicativo, mas a jovem e o pai, que chegou ao local mais tarde, teriam dito que não tinham condições.

Além do licenciamento vencido, o policial conta que decidiu guinchar o carro porque ele estava com os pneus dianteiros gastos, o que estaria comprometendo a segurança no trânsito.

Depois de ouvir a história, a tenente-coronel pede para que o policial não fique “tumultuando” e diz que ele deveria ter apenas feito a orientação, sem apreender o carro.

“Porque isso daí é falta de bom senso, tá? Ela é vereadora. É, é, a condição, você pode muito bem estar fazendo e orientando, tá? E aí segunda-feira, ela pegaria o documento e não precisa apreender o veículo”, explica no áudio.

Em seguida, a tenente-coronel ameaça trocar o policial de setor se ele continuar agindo dessa maneira, já que ele teria desobedecido uma ordem superior.

“Se for desse jeito é o que eu to falando, você não vai estar mais segunda-feira no trânsito (...) porque essa aqui é uma ordem minha, você vai responder também”, continua a tenente coronel.

“Comandante, a senhora está falando isso, não estou descumprindo a ordem da senhora. A hora que a senhora me ligou eu estava no telefone com ela e o veículo já estava em cima do guincho. O veículo foi removido, mas segunda-feira eu converso com a senhora ”, responde o policial.

A conversa continua por mais alguns segundos e a tenente-coronel repete que o policial de trânsito deveria ter tido bom senso ao analisar a situação, já que a mulher é vereadora.

“Porque você pura e simplesmente está fazendo algo que era desnecessário, infelizmente a gente tem esse tipo de contato dessa forma, você não ouviu as orientações que foram dadas, tá? Quem trabalha no trânsito tem que ter jogo de cintura e bom senso”, continua a tenente-coronel.

“Olha o que você tá causando, porque politicamente ela é vereadora. Não teve nem uma conversa, o que você está achando que você é?”, questiona no áudio.

 A Professora Daniela se manifestou por meio de nota. Ela esclareceu que, "em nenhum momento seu telefonema para a comandante tenente-coronel Márcia Crystal teve o objetivo de praticar tráfico de influência" e que foi apenas para ver se havia a possibilidade de não ter o veículo apreendido.

Disse também que "não houve nenhuma indagação para que o referido militar fosse punido ao exercer suas funções" e que ficou preocupada com a filha. Além disso, informou que os pneus não estavam gastos.

Por fim, afirmou que concorda com os procedimentos determinados pela legislação de trânsito e que "vai tomar as atitudes jurídicas para o caso, prezando pela verdade e justiça".

Posição da polícia

Em nota, o Comando do Policiamento do Interior da região de Bauru (CPI-4), ao qual é subordinado o Batalhão de Marília, informou que está apurando todas as circunstâncias relativas ao fato.

Segundo o CPI-4, o policial que efetuou a apreensão estava matriculado em um curso de especialização na área de policiamento de trânsito, em São Paulo, desde março, que foi suspenso por causa da pandemia de coronavírus e reagendado para o dia 24 de agosto.

Por isso, conforme informou o CPI-4, o policial não vai trabalhar em Marília até concluir o curso em setembro.

Também em nota, o presidente da Câmara de Marília, vereador Marcos Rezende (PSD), afirmou que o episódio refere-se a "assunto privado da vida da Professora Daniela e da esfera administrativa do órgão de Segurança Pública". Segundo Rezende, "esta Presidência só se posicionará se houver alguma manifestação ou provocação externa, com pedido de providência".

TV TEM entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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