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Brasileira passa a integrar comitê criado por Carl Sagan

 Você sabia que existe um CSI na vida real? Se trata de um Comitê para Investigação Cética, ou seja, esclarecer alegações que negam ou desafiam a ciência. Esse órgão foi criado nos EUA, por Carl Sagan e Isaac Asimov, e, pela primeira vez, o Brasil terá um cientista integrando a equipe ao lado dos principais nomes da ciência mundial.


A notícia é duplamente positiva, pois, além de ser a primeira participação brasileira, estamos falando de um convite feito a uma mulher. A participação feminina na ciência merece destaque e Natalia Pasternak vem mostrando a necessidade da valorização e conhecimento científico seja no combate a uma pandemia ou a conscientização sobre uma vacina.



Brasileira passa a integrar comitê criado por Carl Sagan
Pela primeira vez, o Brasil terá representante na mais reconhecida entidade mundial de defesa da ciência, fundada, dentre outros, por Carl Sagan, astrônomo e o mais renomado divulgador científico da historia
A microbiologista, fundadora e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), Natalia Pasternak, é a primeira pessoa, dentre todos os brasileiros, a ser convidada a integrar oficialmente o Comitê para Investigação Cética (Committee for Skeptical Inquire, ou CSI, na sigla em inglês). Trata-se de organização criada nos Estados Unidos em 1976 por, dentre outros, o escritor Isaac Asimov (1920-1992) e o físico e astrônomo Carl Sagan (1934-1996), para investigar, apurar e esclarecer alegações que negam ou desafiam a ciência.

Instituído em resposta à crescente popularidade, na década de 70, da astrologia, ufologia e da crença em fenômenos paranormais - como a suposta capacidade que algumas pessoas alegavam ter de ler mentes, ver o futuro etc. -, o comitê, encabeçado originalmente pelo filósofo Paul Kurtz (1925-2012), teve ainda entre seus fundadores o psicólogo B.F. Skinner (1904-1990) e o filósofo W.V.O. Quine (1908-2000). Logo veio a reunir, também, figuras como o mágico James Randi e o escritor e divulgador da ciência Martin Gardner (1914-2010).

Nas décadas desde sua fundação, o comitê incluiu entre suas preocupações temas como a medicina alternativa, o criacionismo e a negação do aquecimento global. O CSI publica, também desde 1976, a revista Skeptical Inquirer, para a qual Pasternak já contribuiu.

Em 2018, foram convidados a integrar o CSI como membros, dentre outros, o mágico Banacheck e o cientista climático Michael E. Mann, uma das principais vozes na divulgação da realidade do aquecimento global.

A grande presença de mágicos no comitê deve-se ao fato desses profissionais dominarem técnicas capazes de "enganar" as pessoas, fazendo-as acreditar em seus "poderes sobrenaturais". Uma vez no CSI, esses ilusionistas contribuem para desmascarar enganadores que se fazem passar por místicos ou paranormais.

Dentre os atuais membros ativos do CSI estão os biólogos Richard Dawkins e E.O. Wilson, o astrofísico Neil DeGrasse Tyson, os físicos ganhadores do Nobel Murray Gell-Mann e Steven Weinberg, o linguista Steven Pinker e o filósofo Daniel C. Dennett. Dentre os membros já falecidos encontram-se Steven J. Gould e o nobelista Francis Crick, codescobridor da estrutura do DNA.

Defesa da ciência
"O convite para integrar o CSI é um reconhecimento da maturidade conquistada pelo movimento cético brasileiro nos últimos anos", disse Pasternak, "e do papel cada vez mais fundamental que o ceticismo organizado tem em sociedades nas quais a desinformação e a pseudociência não só se espalham por redes sociais de grande capilaridade, como ainda encontram guarida em altas esferas do governo".

Diretor-executivo do CSI, o cientista norte-americano Barry Karr salientou a relevância do convite: "Estamos muito felizes em ter Natalia Pasternak como membro do comitê", disse. "Quando a conhecemos na conferência CSICon, há alguns anos, pudemos constatar que ela era uma defensora dinâmica e apaixonada da ciência e da razão."

Karr também sublinhou o papel do IQC, instituição fundada por Pasternak em parceria com outros renomados acadêmicos para se contrapor ao crescimento de movimentos anticientíficos na sociedade brasileira: "É inspirador e gratificante assistir ao desenvolvimento de seu grupo e vê-la tornar-se uma das principais defensoras da ciência no Brasil e assumir, de fato, um papel de liderança dentro do movimento cético mundial. Mal posso esperar para ver o que ela fará a seguir".
Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência


PARA A IMPRENSA
Ricardo Viveiros & Associados Oficina de Comunicação
Jéssica Almassi; jessica.almassi@viveiros.com.br
Ulisses Carvalho; ulisses.santos@viveiros.com.br