Google

Vale a pena cooperar com a concorrência? Muitas empresas têm apostado que sim


Escolas independentes de idiomas formam grupo para trocar experiências, melhorar serviços e crescer na pandemia

Nenhum homem é uma ilha. Atribuída ao filósofo inglês Thomas Morus, a frase parece ganhar novo sentido, em tempos de pandemia. Porém, para além da questão da solidão humana ou da importância da solidariedade, a afirmativa passou a fazer parte, e cada vez mais, do contexto empresarial. É o caso do grupo de escolas de idiomas independentes formado por 6 empresas: Casa Brasileira, Challenges, Companhia de Idiomas, Instituto Orange e Language Factory e Language Pro.

Essas escolas de idiomas independentes, que atuam no B2B e no B2C, resolveram unir forças para crescer ainda mais. "A humildade é uma lição importante, principalmente na sociedade pós-pandemia. Estamos todos ligados e ninguém é o centro do mundo. Nossa empresa tem muito a aprender com outras empresas do mesmo segmento, e também muito a ensinar. E isso não é benchmarking, mas sim um elo de confiança sendo construído em benefício de todos", explica Rosangela Souza, sócia da Companhia de Idiomas.

Débora Carillo , da Language Pro, complementa: "Não é só fortalecer o concorrente, mas também se fortalecer com o concorrente, compartilhando know-how e inovação, reduzindo custos e possibilitando novas iniciativas que, individualmente, as empresas não conseguiriam executar". Se a ideia parece supreendente, tanto quanto inovadora, ela não surge por acaso. "A cooperação ia ocorrer por uma necessidade de mercado, de forma gradual e lenta, porém acabou por ser agilizada em função da pandemia", explica Paula Grzybowski, da Challenges.

Esse exercício colaborativo é realizado, principalmente, na base de muito diálogo. Desde junho de 2020, o grupo troca ideias e reflexões por meio de reuniões, fóruns e até cursos, em um ambiente digital de aprendizagem, mediado por uma expert em gestão. "Compartilhamos experiências, tanto atuais quanto passadas. Prestamos serviços semelhantes, porém cada escola tem suas particularidades. Há escolas mais experientes, outras estão entrando no mercado - porém temos a mesma ética e essência", conta Marianthi Boutsiavaras, da Language Factory.

CONHECIMENTO COMPARTILHADO

Muitas vezes, essa troca é bem prática: envolve solução de gargalos que atrapalham a gestão, dicas sobre simplificação da operação, desenvolvimento de cursos e mentorias que vão de estratégia a metodologias. "Em alguns casos, são conteúdos disponíveis para todos e apenas estamos ali compartilhando a informação. Desde a primeira reunião que fizemos, já temos diversos projetos compartilhados", diz Rogério Zago, do Instituto Orange. "Sempre saímos desas reuniões com algo bom, um novo insight, um novo ângulo de visão", afirma Débora.

O objetivo principal do grupo é justamente compartilhar conhecimento, criando uma corrente de aprendizado, que tem tudo a ver com a área em que atuam. "O verbo que inventamos é o ‘aprensinar’ - e ele é aplicado o tempo todo. Ao ensinar algo, estamos aprendendo. Ao repetir o que sei, eu também estou me ouvindo e consolidando aquele conhecimento. E quando estou ouvindo os outros, observo a perspectiva deles sobre temas familiares. Essa troca nos faz levar algo diferente para nossas empresas", explica Rosangela.

Mas como manter o diferencial da empresa, compartilhando tanta coisa assim? Segundo Paula, há uma complementaridade, de acordo com as características pessoais de cada um dos empreendedores. "Tem os que se destacam no marketing, outros em teorias inovadoras, outros ao questionar e estimular reflexões e outros na habilidade de resumir e expor pensamentos com clareza. E, acima de tudo, há um alinhamento de essência, do que achamos que é empreender com ética", assegura.

Cada escola tem autonomia para decidir se quer ou não fazer parte de deteminado projeto e isso ajuda a manter os diferenciais. Enxergar no concorrente um parceiro foi um desafio vencido quando eles perceberam que existiam mais afinidades do que diferenças. "Compartilhar as vulnerabilidades é uma questão necessária e nem sempre fácil, mas com certeza uma forma eficaz de superar as dificuldades", analisa Angélica Minervino, da Casa Brasileira.

A essência em comum - o desejo de seguir independentes, com o mesmo entendimento sobre a importância da educação e a mesma visão sobre o empreendedorismo de modo ético e sustentável - foi a cola usada nessa união. Além disso, há também a trajetória de cada empresa. "Queremos nos orgulhar do caminho percorrido, não apenas das conquistas. Isso nos une", resume Rosangela. "Dentro do segmento de escolas de idiomas independentes, estamos no mesmo barco. Saber que tem alguém que passa pelas mesmas dores que você, e que outros encontraram soluções que você não havia percebido, traz força para continuar empreendendo", conclui Rogério.

Cíntia Ferreira
Agência NB Comunicação