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Para infectologista da Unifesp, não há segunda onda de casos: "É uma exposição dos suscetíveis"



O aumento expressivo no número de casos de coronavírus nas últimas semanas - inicialmente em regiões da Europa e, agora, com mais ênfase no Brasil -, tem sido chamado de ‘segunda onda’. De acordo com Nancy Bellei, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), trata-se mais de uma exposição dos suscetíveis.

"Me incomoda o termo 'segunda onda', pois classicamente a ideia de 'ondas' durante uma pandemia é um conceito do entendimento das pandemias de influenza. O coronavírus é um vírus 20 vezes mais estável que o influenza e outros do tipo RNA. Portanto, esse conceito de segunda onda, para nós que temos o conhecimento das ondas pandêmicas de influenza, envolve ter, por exemplo, uma situação nova, pelo menos do ponto de vista virológico - no caso da covid-19, temos mutações, mas não temos uma letalidade maior por conta de um aspecto virológico", explica Bellei.

Ainda segundo a especialista, ocorre, na verdade, uma situação inusitada: o lockdown, a quarentena, o uso de máscara por toda a população e o isolamento muito restritivo. A partir do momento em que relaxa e flexibiliza esse cenário, claramente temos uma grande população ainda suscetível ao vírus: "Quanto mais suscetíveis e mais exposição, mais gente vai ser acometida pela doença".

Isso explica o fato de que muitos dos novos casos são da população jovem, pois foram pessoas que passaram a socializar mais sem proteção e a se expor mais. "Esses números de avaliações soroepidemiológicas são muito variáveis e dependentes do momento", complementa a infectologista.


Assessoria de Imprensa

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