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Pesquisa mostra que professores não detém capacitação para lidar com o ambiente de aulas virtuais

 A pandemia alterou, de forma expressiva, a atividade dos professores no Brasil. Pesquisa mostra que eles não detém capacitação para lidar com o ambiente de aulas virtuais imposto pela pandemia. 


Professores brasileiros devem ser prioridade dos governos estaduais, alerta especialista
De acordo com pesquisa do Instituto Crescer, 57% dos professores brasileiros se sentem frustrados com a pouca estrutura para ensino remoto no país. 46% dos educadores não sabem avaliar se os alunos estão realmente aprendendo com as aulas online. Especialista em educação e tecnologia avalia cenário e acredita que governos deveriam priorizar formação de professores.

No Brasil, cerca de 42% dos professores afirmam que ainda não receberam nenhum tipo de formação para o uso de tecnologias digitais na preparação de aulas. Nove em cada 10 professores da rede pública de ensino não tinham nenhuma experiência anterior ministrando aulas não presenciais. Os dados são da pesquisa "Trabalho Docente em Tempos de Pandemia", realizada Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG em parceria com a CNTE. Um cenário considerado preocupante pelo especialista em educação e tecnologia, Alfredo Freitas.

Freitas, que dirige a Ambra University - Universidade na Flórida, Estados Unidos, e que há mais de 10 anos aplica ensino via internet, acredita que sem o investimento na capacitação de professores para uso das tecnologias de educação, o futuro do ensino no Brasil estará ameaçado. Para ele, os governos e prefeituras brasileiros precisam descobrir, livre de preconceitos, as vantagens do ensino via internet.

"Infelizmente, ainda há muito preconceito no Brasil com relação ao ensino via internet. Temos que avançar na perda desse senso comum e caminhar avante, junto com outros países, para investir cada vez mais em tecnologia e remodelar o sistema de educação. Nos EUA, por exemplo, o ensino superior já tendia, antes da pandemia, a um perfil mais remoto que presencial. Dados recentes mostraram que 6,6 milhões de estudantes estão matriculados em alguma modalidade de ensino online no país. É uma tendência inevitável", afirma o especialista Alfredo Freitas.

Os dados que se refere Alfredo são da Organização americana Education Data Organization e confirmam a tendência americana por uma educação remota. No Brasil, para Alfredo Freitas, o papel do professor ganhará nova roupagem nos próximos anos. "O perfil da educação vai mudar. Sairemos de uma realidade presencial e local para uma realidade virtual e global. Ou seja, um estudante do interior do Pernambuco pode estudar numa universidade da Inglaterra, assim como um estudante de Florianópolis pode se formar numa universidade americana. Não há fronteiras no ensino do futuro", avalia o diretor da Ambra University.

Desafios de Conexão

Além da questão pedagógica um dos maiores desafios no Brasil é a questão do acesso à internet. Cerca de seis milhões de estudantes, desde a pré-escola até a pós-graduação, não têm acesso à internet banda larga ou 3G/4G em casa. Essa parcela significativa estaria excluída do ensino remoto. Desses, 5,8 milhões são alunos de instituições públicas de ensino. É o que revela o estudo "Acesso Domiciliar à Internet e Ensino Remoto Durante a Pandemia", feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para o especialista em educação e tecnologia Alfredo Freitas, o novo desafio, inclusive para a nova gestão dos prefeitos eleitos este ano, é pensar como manter a qualidade do ensino e recuperar a perda de conteúdo dos estudantes nos municípios brasileiros. Para ele, os gestores públicos mais ousados alcançarão melhores resultados.
"Os governadores e prefeitos que não quiserem amargar ao fim de seus novos mandatos números arrasadores na educação de seus estados e municípios, devem agir e rápido para investir na capacitação de professores e na educação tecnológica. Assistiremos, todos, nos próximos quatro anos, quem venceu o desafio e quem não. Não há como fugir desse cenário", afirma Freitas.

Luz no fim do túnel

Para buscar uma solução imediata a falta de acesso de estudantes à internet no Brasil, o Congresso Nacional brasileiro aprovou, no último mês, um Projeto de lei para garantir internet em todas as escolas na rede pública no Brasil até 2024. O projeto que depende ainda da sanção do Presidente, determina que 18% do fundo de universalização de telecomunicações seja destinado às escolas até 2024 - assegurando um investimento de R$ 6bi para instalação de internet banda larga nas escolas brasileiras.

Um movimento que, se aprovado pela Presidência, enviará recursos totalmente necessário para conectividade das escolas brasileiras. Para Alfredo Freitas, a medida pode ser uma luz no fim do túnel para a educação brasileira. Ele acredita que o modelo inspirado em comunidades digitais, aplicado pela Universidade americana que dirige, poderia auxiliar gestores da educação no Brasil a compreender o cenário.

"Estamos sempre atentos e abertos para compartilhar nossa experiência em educação via internet para o Brasil", afirma Alfredo. Um dos professores da Ambra University, Geornor Franco Neto, confirma que o ambiente digital deve ser inclusive para professores e alunos para ser útil e favorável ao ensino de verdade. "Posso dizer, sem sobra de dúvidas: mesmo de longe, o espírito de comunidade aproxima professor e alunos. O ensino acontece e é eficaz", afirma o professor.
*Alfredo Freitas é pós-graduado em 'Project Management' pela Sheridan College no Canadá, graduado em Engenharia de Controle e Automação e Mestre em Ciências, Automação e Sistemas, pela Universidade de Brasília. O renomado profissional tem mais de 15 anos de experiência em Tecnologia e Educação. É atualmente Diretor de Educação e Tecnologia da Ambra University. A Universidade americana é credenciada e tem cursos reconhecidos pelo Florida Department of Education (Departamento de Educação da Flórida) sob o registro CIE-4001. Além disso, a universidade conta com histórico de revalidação de diplomas no Brasil.