Mapa revela a situação de conectividade de 140 mil escolas municipais e estaduais

 Mapa revela a situação de conectividade de 140 mil escolas municipais e estaduais


Iniciativa do NIC.br e CIEB permite uma macro-análise das redes municipais e estaduais. Ação faz parte do projeto Conectividade para Educação

Em uma sociedade cada vez mais digital, a adoção de tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem é uma tendência irrefreável. Nesse contexto a Internet assume papel-chave na transmissão e na busca de conhecimento - missão evidenciada ainda mais na pandemia COVID-19. É fundamental que as escolas possam contar com uma conexão compatível com suas demandas e necessidades pedagógicas.

Para traçar um panorama da conectividade na rede pública de ensino do país, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) apresentaram hoje (30 de março) o Mapa Integrado de Conectividade na Educaçãouma das iniciativas do projeto Conectividade para Educação, lançado no final do ano passado.

A ferramenta oferece a gestores e secretários de educação uma análise de parte das cerca de 140 mil escolas municipais e estaduais brasileiras em atividade. Em 27 mil delas, onde há medidores do NIC.br instalados, é possível verificar o desempenho da banda larga, o que permite estimar se ela está adequada ou deficiente.

"Esses 27 mil medidores são os que desenvolvemos para o Programa Inovação e Educação Conectada (Piec), do Ministério da Educação (MEC). Seu número pode aumentar à medida que mais escolas forem instalando medidores, que são distribuidos gratuitamente. Por ora, eles estão em colégios públicos de aproximadamente 3.500 municípios, nas cinco regiões do país", explica Paulo Kuester Neto, analista de projetos do NIC.br e um dos idealizadores do mapa.

"O mapa lançado agora possibilita uma análise ampla. Pode-se, por exemplo, investigar a qualidade da banda larga de toda uma rede municipal ou estadual. É possível ainda verificar se a conectividade das escolas é melhor ou pior do que a do entorno delas (residências, estabelecimentos comerciais etc.), favorecendo-se, se for o caso, uma renegociação de contrato", destaca o diretor de projetos especiais e de desenvolvimento do NIC.br, Milton Kashiwakura, acrescentando que essa comparação só é viável, porque o mapa é abastecido também por dados de todos os outros medidores do NIC.br fora das instituições de ensino.

De acordo com Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do CIEB, faltava uma base de dados integrada para informar melhor a situação de conectividade das escolas públicas brasileiras. A ferramenta cumpre essa função e poderá ser fundamental para as lideranças envolvidas na construção de projetos e políticas públicas relacionados ao tema. "Embora nos últimos anos a gente tenha registrado um aumento no volume de recursos destinados para este fim, a conectividade em escolas públicas ainda apresenta deficiências importantes tanto em relação à cobertura de sinal quanto à qualidade para o uso pedagógico por docentes e estudantes. Não estamos usando a tecnologia como uma alavanca para a educação brasileira, ao contrário do que muitos países fazem", apontou Dellagnelo.

"Além disso, precisamos de escolas e estudantes conectados para conseguir implementar o ensino híbrido, que já era uma forte tendência na educação e agora assumiu papel central no contexto da pandemia. Hoje, contudo, faltam modelos de infraestrutura, de distribuição do sinal, de formas de contratação de Internet para apoiar gestores e gestoras. Também não tínhamos um retrato claro da conectividade das escolas, mas com o apoio de muitos parceiros, superamos isso", complementa.

Diferentes tipos de investigação

De fácil navegação, o mapa é uma ferramenta analítica que permite verificações diversas. Possibilita explorar recortes, como escolas de estados e municípios que possuem conectividade adequada e as que não têm acesso à rede, velocidade da Internet naquelas com acesso e com o medidor, tecnologias para conectividade disponíveis (fibra óptica, satélite, rádio, etc.) que são fontes para a contratação do serviço, entre outras.

A ferramenta, que reúne bases de dados de diversos órgãos, possibilita também comparar diferentes indicadores de conectividade, como, por exemplo, velocidade de download e upload, latência entre as instituições de ensino e seu entorno, e se a Internet é utilizada durante atividades pedagógicas, ou se fica restrita à parte administrativa do colégio.

Selecionado o indicador, quem navega pode escolher qual característica deseja comparar: localização, faixas de velocidade, porte da instituição e série temporal.

Além de ser um instrumento útil para gestores, o mapa pode ser usado para recolher informações sobre o tema

O lançamento da ferramenta aconteceu durante o seminário internacional: Repensando o Papel das Tecnologias na Educação que marcou a celebração on-line dos cinco anos do CIEB. Reveja a transmissão em http://www.youtube.com/watch?v=vzzneg9DgJM.

Projeto Conectividade para Educação

Coordenado pelo NIC.br e pelo CIEB, o Conectividade na Educação tem como objetivo reunir dados e referenciais técnicos para apoiar a formulação de políticas públicas e de conectividade na área. O projeto conta com a contribuição do GICE (Grupo Interinstitucional de Conectividade na Educação), formado por entidades governamentais, operadoras, provedores regionais, empresas de tecnologia, associações e organizações do terceiro setor.

A iniciativa está baseada em três eixos de atuação: o mapa, alternativas de modelos de contratação de Internet e a conectividade dentro da escola.

Outras ações na área

Educação é uma pauta em destaque em projetos conduzidos pelo NIC.br. Conheça algumas das ações da entidade na área:

Programa de Inovação Educação Conectada

Criado para apoiar a universalização do acesso à Internet em alta velocidade e fomentar o uso pedagógico de tecnologias digitais na educação básica, o programa capitaneado pelo MEC conta com o Medidor Educação Conectada , desenvolvido pelo NIC.br. Com a ferramenta, cada escola pública pode acompanhar periodicamente o desempenho da banda larga contratada.

Os dados são coletados pelo Sistema de Medição de Tráfego Internet (SIMET), do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações (Ceptro.br) do NIC.br.

Acordo com o Unicef

Em 2020, com o acordo de cooperação internacional com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o NIC.br passou a contribuir com a medição da conectividade das escolas em âmbito global. A partir da parceria, dados do SIMET (os mesmos usados no Medidor Educação Conectada) sobre a conectividade das escolas públicas brasileiras passaram a ser compartilhados com o Giga, iniciativa do UNICEF e da International Telecommunications Union (ITU) para conectar instituições de ensino ao redor do mundo e suas comunidades no entorno à Internet.

Além disso, há planos para a elaboração de estudos e projetos de troca científica com outros países e o UNICEF, colaborando com dados e medições, desenvolvimento de ferramentas e de modelos de Inteligência Artificial para avaliação da conectividade.

TIC Educação

Realizada desde 2010, a pesquisa TIC Educação do CGI.br, conduzida pelo Cetic.br|NIC.br, entrevista a comunidade escolar (alunos, professores, coordenadores pedagógicos e diretores) para mapear o acesso, uso e apropriação das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em escolas públicas e privadas de educação básica.

Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR - NIC.br

O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR - NIC.br (http://www.nic.br/) é uma entidade civil, de direito privado e sem fins de lucro, que além de implementar as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil, tem entre suas atribuições: coordenar o registro de nomes de domínio - Registro.br (http://www.registro.br/), estudar, responder e tratar incidentes de segurança no Brasil - CERT.br (http://www.cert.br/), estudar e pesquisar tecnologias de redes e operações - Ceptro.br (http://www.ceptro.br/), produzir indicadores sobre as tecnologias da informação e da comunicação - Cetic.br (http://www.cetic.br/), implementar e operar os Pontos de Troca de Tráfego - IX.br (http://ix.br/), viabilizar a participação da comunidade brasileira no desenvolvimento global da Web e subsidiar a formulação de políticas públicas - Ceweb.br (http://www.ceweb.br), e abrigar o W3C Chapter São Paulo (http://www.w3c.br/).

Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br

O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (http://www.cgi.br/principios). Mais informações em http://www.cgi.br/.

Sobre o Centro de Inovação para a Educação Brasileira - CIEB

O Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) é uma associação sem fins lucrativos criada em 2016 para promover a cultura de inovação na educação pública brasileira. Para isso, a organização apoia a formulação de políticas públicas, desenvolve conceitos e ferramentas, e integra múltiplos atores e diferentes ideias em torno de uma causa comum: inovar para impulsionar a qualidade, a equidade e a contemporaneidade da educação pública brasileira. Mais informações: http://www.cieb.net.br

Contatos para a Imprensa:

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