Programação da 3ª edição de Frestas - Trienal de Artes traz conversa aberta com o Coletivo Ayllu

 



Programação da 3ª edição de Frestas - Trienal de Artes traz
conversa aberta com o Coletivo Ayllu

O encontro online e gratuito, que integra o Programa Orientado a Práticas Subalternas (POPS), é uma das atividades do programa público da Trienal e propõe a análise do canibalismo e a resistência anticolonial

Coletivo Ayllu

Em uma das pinturas "enconchadas" mexicanas - técnica caracterizada pelo embutimento de placas de concha no suporte - do século XVIII, conservada no Museu da América em Madri, está indicado: "os índios comem carne de espanhóis e sentem nojo". O ato canibalista associado à rejeição da carne espanhola inspira a palestra pública e virtual do Coletivo Ayllu, no dia 11 de março, atividade que integra a programação da 3ª edição de Frestas - Trienal de Artes, realizada pelo Sesc São Paulo na unidade de Sorocaba .

Desde a primeira colonização hispano-portuguesa no século XV, os colonos associavam os índios com o selvagem, como canibais, além de sodomitas e idólatras. O encontro online propõe reinventar as noções de canibalismo e a análise do sentimento de repulsa como resistência anticolonial, assim como imaginar futuros de alimentação e vida fora da supremacia branca e seu projeto humanista.

A fala pública intitulada Índios comem carne de espanhóis e sentem nojo acontece ao vivo, no canal do Youtube do Sesc Sorocaba ( youtube.com/sescsorocaba ), às 15h, e encerra a programação do Programa Orientado a Práticas Subalternas (POPS).


O POPS funciona como um espaço de experimentação crítica que parte de um questionamento do racionalismo, do cientificismo e da falsa objetividade do pensamento eurocêntrico. Coordenado pelo coletivo artístico Ayllu, o curso trabalha com assuntos abordados por profissionais de diversas áreas que buscam multiplicar vozes e sonoridades de resistência à ordem colonial, passando por temas como colonialidade, gênero e sexualidade.

Os encontros iniciaram em janeiro de 2021 para 40 participantes, com oito encontros online de duas horas, trazendo conceitos conectados aos temas da 3ª edição de Frestas - Trienal de Artes, intitulada O rio é uma serpente.


3ª edição de Frestas - Trienal de Artes

A partir do título O rio é uma serpente, a 3ª edição de Frestas - Trienal de Artes, plataforma transdisciplinar realizada pelo Sesc São Paulo em sua unidade de Sorocaba, traz ao público desdobramentos que constituem o processo curatorial conduzido por Beatriz Lemos, Diane Lima e Thiago de Paula Souza.

A fim de aproximar artistas locais de produções regionais e internacionais e estabelecer o diálogo entre questões sociais próprias ao contexto brasileiro e às reflexões da esfera global, a Trienal apresenta desde outubro uma programação pública e online de atividades, debates e oficinas - ações que promovem discussões diversas do campo da arte contemporânea - e, em 2021, trará o lançamento de publicações e a inauguração da exposição.


Para Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, com a realização desta edição de Frestas, "o Sesc reafirma a direção que procura apontar com sua ação cultural, fomentando experiências simbólicas dedicadas a buscar saídas em meio a uma conjuntura cujas vias parecem conduzir a lugares onde não gostaríamos de chegar, embora já tenhamos chegado. Emblemática desses ‘lugares’, a pandemia de Covid-19 se interpôs na trajetória de Frestas, exigindo que seu curso fosse alterado. Nesse retraçado, a Trienal duplica sua aposta na resiliência, desenvolvendo mais imediatamente o seu Programa de Estudos no ambiente virtual para realizar a sua etapa presencial".


O rio é uma serpente

A partir do convite do Sesc São Paulo para atuarem pela primeira vez em conjunto, Beatriz Lemos, Diane Lima e Thiago de Paula Souza assumem a curadoria da 3ª edição de Frestas. A proposta do trio é trazer para a prática o debate sobre economias de acesso, refletir sobre as políticas e poéticas de exibição, investigar quais estratégias de solidariedade são possíveis, bem como aquilo que dizem os corpos que, habitando estruturas de poder assimétricas, estão a criar um vasto mundo fora do mundo.

Ao questionar os limites entre o negociável e o inegociável na realização de uma exposição de arte contemporânea nos tempos atuais, a Trienal investiga as possibilidades, as potências e os desafios que transitam por múltiplos ecossistemas naturais, espirituais e subjetivos, reunindo um conjunto de tecnologias forjadas por outros corpos que, em tempos e espaços históricos distintos, foram condicionados a agenciar permanências e acessos como único modo de garantir a manutenção de suas existências.

A serpente como metáfora expandida por sua ampla cosmologia nas mais diferentes narrativas míticas e culturais atua como mirada para discutir o tempo não linear e os efeitos das inúmeras contradições destravadas pelo avanço do capital neoliberal e pelos processos sistêmicos de captura de subjetividades como geração de valor e reencenação de uma ética colonial.

Das curvas dos rios navegados durante a viagem de pesquisa dos curadores em outubro de 2019, surgiram as palavras cheias de imagem que deram nome ao título-estopim da 3ª edição de Frestas. Segundo o trio curatorial, "foram as formas serpenteadas por um tempo não linear que nos ajudaram a traduzir as experiências intangíveis dos contratos, conflitos e acordos que vivenciamos, bem como das estratégias de solidariedades praticadas por todos aqueles que fazem parte da plataforma Frestas. O rio é uma serpente porque se esconde e camufla e, entre o imprevisível e o mistério, cria estratégias em seu próprio movimento".

A pesquisa para esta 3ª edição se iniciou com processos de escuta e trocas com diferentes agentes culturais de Sorocaba e região, expandindo-se para Boa Vista e para a terra indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima; Manaus e arredores do rio Tupana, no Amazonas; Belém, no Pará; Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí; Alcântara e São Luís, no Maranhão.

Ao desaguar em Sorocaba, O rio é uma serpente retoma o diálogo com a cidade articulando olhares para suas geografias e possibilidades de afetação, encontro e memória com agentes, coletivos, grupos, artistas, centros de cultura independente, rádios e bibliotecas comunitárias. Desse modo, cria novas paisagens questionando de que forma códigos e linguagens são criados e quais mecanismos compactuam com a manutenção de infraestruturas que regulam dinâmicas de poder, legitimam discursos, condicionam acessos, travam a crítica e forjam uma ideia de pacificação e consenso.


Sobre a Trienal

Frestas é uma iniciativa trienal estruturada em três eixos - programa público, publicações e exposição - que compõe a ampla agenda cultural realizada pelo Sesc São Paulo. É, sobretudo, uma plataforma transdisciplinar que promove novas atuações e reflexões num campo mais amplo das artes visuais, trazendo também a atenção do público e do circuito de maneira mais descentralizada. Frestas trata de passagem, de racha, de ruptura, ou seja, é uma abertura para um novo lugar democrático de atuação.

A realização do projeto ocorre na unidade do Sesc localizada em Sorocaba, a 100 quilômetros da capital do estado. Desde 2014, a Trienal de Artes vem se dedicando a discutir e a problematizar as questões urgentes que pautam os dias de hoje. Pela dimensão e relevância do programa, Frestas tem colaborado com a ampliação da cena artística contemporânea no estado de São Paulo. Além disso, tem também contribuído com a capacitação de arte-educadores e com a formação de redes de profissionais da cultura fora das capitais, e, em âmbito local, incentivado, por consequência, o fomento às artes no interior do estado, bem como a descentralização das atividades culturais.


Sobre o Sesc São Paulo

O Sesc - Serviço Social do Comércio é uma instituição privada, sem fins lucrativos, criada em 1946 pelos empresários do comércio e de serviços em todo o Brasil. No estado de São Paulo, o Sesc conta com 42 centros que congregam suas áreas de atuação nos

campos de cultura, educação, esportes, lazer e saúde. As ações do Sesc São Paulo se norteiam por seu caráter educativo e pela busca do bem-estar social com base em uma compreensão ampla do termo cultura. Nesse sentido, a acessibilidade plena aos espaços e conteúdos oferecidos pela instituição tem em vista a democratização dos bens culturais como forma de autonomia do indivíduo.

No campo das artes visuais, a instituição cumpre o papel de difusora da produção artística contemporânea e dos demais períodos históricos, bem como das intersecções com outras linguagens artísticas, tendo como diretriz a realização de exposições para todos os públicos. São realizados, ainda, projetos com instalações, intervenções e performances, bem como atividades de ação educativa e mediação em formatos variados, tendo como foco o atendimento qualificado tanto a grupos agendados quanto ao público espontâneo, buscando, sobretudo, o alcance de uma formação sensível e o estímulo à autonomia e à liberdade de escolha.


Serviço
Fala pública com Coletivo Ayllu
Local: Transmissão ao vivo no canal do Youtube do Sesc Sorocaba (youtube.com/sescsorocaba)
Data: Quinta-feira, 11 de março, às 15h
Gratuito


3ª edição de Frestas - Trienal de Artes | O rio de é uma serpente
Local: Sesc Sorocaba
Curadoria: Beatriz Lemos, Diane Lima e Thiago de Paula Souza.
Período: de outubro de 2020 a agosto de 2021


Sesc Sorocaba
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