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80% das crianças brasileiras de até 5 anos substituem alimentos saudáveis por ultraprocessados

 


80% das crianças brasileiras de até 5 anos substituem alimentos saudáveis por ultraprocessados


O levantamento da UFRJ mostra ainda que crianças menores de 2 anos são as que menos ingerem frutas e hortaliças; diretora-presidente do Instituto Opy de Saúde alerta que o consumo excessivo de ultraprocessados pode desencadear Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs).

São Paulo - Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgado nesta terça (7) revela um cenário preocupante. Inédito no país, o levantamento mostra que oito em cada dez crianças brasileiras de até cinco anos de idade consomem alimentos ultraprocessados, como biscoitos, farinhas instantâneas, refrigerantes e bebidas açucaradas, dentre outros produtos nocivos à saúde. A pesquisa, que faz parte do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), também aponta que o grupo de bebês menores de 2 anos é o que menos ingere frutas e hortaliças no Brasil e apenas 22,2% das crianças brasileiras entre 6 e 23 meses são alimentadas preferencialmente com vegetais e frutas.

O estudo em questão reforça a atuação e a motivação das entidades do investimento social privado preocupadas com a saúde pública. De acordo com a diretora-presidente do Instituto Opy de Saúde, Flavia Antunes Michaud, a ingestão excessiva de itens ricos em sódio, conservantes e açúcar é uma das principais causas de doenças crônicas como o diabetes, acidente vascular cerebral, infarto, e a hipertensão arterial. "Sabemos que 20% dos nossos genes e saúde são influenciados por questões hereditárias, e todo o resto por fatores externos como alimentação, amamentação, medicamentos, quantidade de infecções e prática de exercícios. Dessa forma, seguir uma dieta rica em alimentos saudáveis faz com que a obesidade infantil e doenças associadas possam ser evitadas", explica Flávia.

O Instituto Opy de Saúde apoia projetos para ampliar e difundir ações de educação e conscientização sobre a necessidade de uma alimentação saudável como uma aliada essencial no combate às DCNTs. Um desses projetos é o Experiências que Alimentam II, desenvolvido pelo Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN), que tem como objetivo favorecer a educação alimentar e nutricional de bebês e crianças na 1ª infância. O CREN atua em lugares de alta vulnerabilidade, atendendo crianças e adolescentes, engajando as escolas e as famílias, em uma abordagem holística. A diretora-presidente do Instituto Opy de Saúde reforça. "Precisamos entender que a promoção da saúde se tornou algo urgente. O cuidado com a alimentação das crianças é a base fundamental para prevenir diversas doenças em toda uma geração. O trabalho do CREN tem grande importância para que essa educação alimentar e nutricional chegue a todos, observando as particularidades do contexto socioeconômico em que as famílias estão inseridas. Faz-se fundamental continuar a cuidar das pessoas e engajar a comunidade no cuidado da própria saúde, em todas as fases e esferas de vida, para uma sociedade mais saudável e para diminuir o altíssimo custo do tratamento das DCNTs para o sistema público", finaliza Flavia.