O ROMANTISMO

 O Romantismo no Brasil teve início com a publicação do livro Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães em 1836. Nesse mesmo período, foi lançada a revista Niterói que também difundia ideias românticas. Seguindo o movimento surgido na Europa no final do século XVIII, o Romantismo no Brasil também teve como característica a visão de mundo centrada no indivíduo. O movimento romântico explorou o lirismo, a subjetividade, a emoção e a valorização do “eu”.


Além disso, o romantismo brasileiro apresentou características próprias do nacionalismo, fuga da realidade, culto ao índio. Esses aspectos contribuíram para a formação da identidade cultural do Brasil. O período romântico se estendeu até 1881, com a publicação do romance realista de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas. 

Prosa no romantismo brasileiro


O surgimento da prosa romântica se deu a partir do desenvolvimento da imprensa no Brasil. A criação de um público leitor estimulou a publicação de folhetins, capítulos de romances de periodicidade semanal publicados em jornais. Esse formato possibilitou a produção da prosa que, juntamente com a poesia, formaram produção literária romântica.

A prosa romântica buscou respostas para os questionamentos sobre a identidade nacional. Diferentemente da poesia que apenas exaltava o nacionalismo, a prosa buscava redescobrir o Brasil e trazer à tona os espaços que o compunham.

O sentimentalismo também era uma característica da prosa romântica, que sempre tinha histórias de amor. Além da idealização do amor, o romance romântico apresentava a idealização de um herói. A trama, geralmente, girava em torno de sentimentos de personagens e conflitos, nos quais eram abordados a ideia de bem e mal, moral e imoral.


Características do romantismo no Brasil


• Rompimento com a tradição clássica da escola literária do Arcadismo;
• Individualismo, subjetividade, sentimentalismo e valorização do “eu”;
• Idealização da mulher e amor platônico;
• Representação do índio como herói;
• Fuga da realidade;
• Nacionalismo exacerbada beirando o ufanismo;
• Religiosidade;
• Exaltação da natureza.

Tipos de romances


O Romantismo no Brasil apresentou quatro tipos de romances:

Romance indianista – nesse tipo de romance o índio surge como herói que representam o país. Sua vida, cultura e costumes são apresentados em uma narrativa que remete à valorização da natureza e à paisagem brasileira. Dos romances indianistas, destacam-se as obras de José de Alencar: Iracema, O Guarani e Ubirajara.
Romance histórico – O romance histórico abordava costumes de épocas passadas. Muitas vezes, o romance era uma espécie de relato que misturava ficção com realidade. Desse tipo de romance, destacam-se As Minas de Prata e A Guerra dos Mascates, de José de Alencar.
Romance urbano - O romance urbano retratava a vida que ocorria nas capitais, a ascensão da classe média, as relações sociais e morais. Os romances urbanos serviam como críticas aos costumes, revelando o comportamento e interesses da sociedade em determinadas épocas. Um exemplo desse tipo de romance é A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo.
Romance regionalista – O romance regionalista, geralmente, se passava em ambiente rural. O objetivo era mostrar costumes, valores e cultura típica de uma região, trazendo à tona a diversidade brasileira. Nesse tipo de romance era comum a representação do povo sertanejo e dos costumes do sertão. São exemplos do romance regionalista: Inocência, de Visconde de Taunay e A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães.

Poesia no romantismo brasileiro


Na poesia, o romantismo no Brasil foi dividido em três gerações. 

Primeira geração

Sob influência do contexto da época, a primeira geração romântica buscava uma poesia que identificasse o país com suas raízes históricas, linguísticas e culturais. O sentimento de patriotismo e nacionalismo presente na poesia, era reflexo da busca de pela identidade própria para o Brasil recém independente e do desejo de construir uma arte genuinamente brasileira.

Essa fase do Romantismo no Brasil foi marcada por temáticas que remetiam à natureza brasileira e pela exaltação do índio, que era retratado como um herói representante de todos os brasileiros. Também chamada de geração indianista ou nacionalista, essa geração teve como principais representantes os poetas Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.





Segunda geração 

Surgida em 1850, a segunda geração romântica divergiu da primeira e trouxe uma poesia onde o eu-lírico estava mais voltado para si. A poesia da segunda geração explorou temáticas ligadas ao sentimentalismo, com foco no pessimismo, melancolia e apego aos vícios. Por abordar temáticas do sofrimento, essa geração do Romantismo no Brasil ficou conhecida como mal do século.

A segunda geração trouxe a idealização da figura feminina e o medo do amor, que sempre era apresentado de forma platônica, com base em sonhos e idealizações do eu-lírico. Os principais representantes dessa fase foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela.

Terceira geração

A terceira geração do Romantismo no Brasil surgiu por volta de 1860. Essa geração trouxe uma poesia com caráter social. Seu foco eram as temáticas de cunho social e político. Influenciada pela realidade da época em que as ideias abolicionistas e republicanas surgiam, a poesia dessa fase refletia esse sentimento.

Mudando o foco do eu para a realidade social, a poesia da terceira geração foi na contramão da segunda. Diferente das gerações anteriores, que trouxeram uma poesia idealizada e carregada de exageros, a terceira geração romântica adotou uma postura mais crítica e uma poesia mais liberal.

Também chamada condodeirismo, essa fase recebeu esse nome por fazer referência à figura do condor, uma espécie de águia. A ave de voo alto era tida como símbolo de liberdade, por isso essa associação com a terceira geração romântica, uma vez que os poetas sonhavam alto com os seus ideais de liberdade.

O escritor mais representativo dessa geração foi o poeta Castro Alves, que explorou a poesia abolicionista como o seu poema O Navio Negreiro. Além dele, destacam-se os poetas Sousandrade e José Joaquim de Campos Leão.
























































Lucíola 

[...] – Aí está a Lúcia, disse Cunha na segunda ordem, quarto camarote depois de vésper. Assim havíamos batizado um planeta que se recolhia infalivelmente entre nove e dez horas da noite. Esqueci-me dizer que a ópera começara; as nossas observações podiam fazer-se então em céu desnublado. Vi Lúcia sentada na frente do seu camarote, vestida com certa galantaria [...]. Não me posso agora recordar das minúcias do traje de Lúcia naquela noite. O que ainda vejo neste momento, se fecho os olhos, são as nuvens brancas e nítidas, que se frocavam graciosamente, aflando com o lento movimento de seu leque; o mesmo leque de penas que eu apanhara, e que de longe parecia uma grande borboleta rubra pairando no cálice das magnólias. O rosto suave e harmonioso [...]. A expressão angélica de sua fisionomia naquele instante, a atitude modesta e quase tímida, e a singeleza das vestes níveas [...], davam-lhe frescor e viço de infância, que devia influir pensamentos calmos [...]. – É uma bonita mulher! disse ao meu vizinho, com um ar de indiferença para disfarçar a minha emoção. – A mais bonita mulher do Rio de Janeiro e também a mais caprichosa e excêntrica. Ninguém a compreende. [...]

ALENCAR, José de. Lucíola. Disponível em: . Acesso em: 2 ago. 2021. Fragmento (P111427I7_SUP)


 01) (P111427I7) Nesse texto, a característica que remete ao Romantismo é 

A) a criação de um herói nacional. 
B) a idealização da mulher. 
C) a valorização do passado. 
D) o egoísmo das personagens. 
E) o enaltecimento da natureza.


Paulo e Lucíola (que brilha) 
Lúcia = Lúcifer (mulher e arrasta o homem para o inferno)
Maria da Glória = Mulher pura, santa 
Maria da Glória morre do final do romance 

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