Trovadorismo em Portugal

 


























AS CANTIGAS TROVADORESCAS 

Fazem parte do primeiro movimento literário da língua portuguesa


As cantigas trovadorescas eram textos literários recitados na companhia de instrumentos musicais. Os instrumentos mais comuns eram viola, lira, harpa, flauta, alaúde e pandeiro. 

As cantigas trovadorescas estão reunidas em livros chamados de cancioneiros. Esses cancioneiros reúnem obras de diversos autores e foram criados em diferentes momentos da história.

Essas obras fazem parte do movimento literário chamado de trovadorismo. O trovadorismo ocorreu durante a Idade Média


Cantigas trovadorescas



CONTEXTUALIZANDO O AMOR COM A MÚSICA DA BANDA MANÁ - CANTIGA DE AMIGO






























A louca de San Blas que amou demais...

A canção do grupo mexicano Maná "En el Muelle de San Blas", sucesso em 1997 foi inspirada numa história real. A protagonista foi uma mulher chamada Rebeca Méndez Jiménez que morreu ano passado (16 de setembro de 2012).
A história de Rebeca começou em 1971, ano em que ela estava prestes a se casar com um pescador chamado Manuel. Ele, dias antes do casamento, foi pescar e nunca mais voltou e Rebeca, permaneceu desde o dia do seu casamento vestida de noiva esperando-o no cais de San Blas (em Nayarit, México) até o dia em que ela morreu com a idade de 63 anos.

Segundo familiares, Rebeca já padecia de transtornos mentais e nunca perdeu a esperança de encontrar seu amado, de quem nunca soube notícias.

Sua história chamou atenção do vocalista do grupo Maná, o cantor Fher que a conheceu vendendo doces vestida de noiva. Ela relatou sua história ao vocalista, no qual resultou uma música "En el Muelle de San Blas" baseado no relato daquela que nunca perdeu a esperança e que sempre permaneceu vestida de noiva, uma vez que assim o tal noivo fosse perceber que era ela, sua prometida ("Llevaba el mismo vestido Y por si él volviera no se fuera a equivocar").










As cantigas trovadorescas eram classificadas de duas formas: cantiga lírica e cantiga satírica. As cantigas líricas são subdivididas em cantigas de amor e cantigas de amigo. Já as cantigas satíricas podem ser de escárnio ou de maldizer.

Cada uma dessas cantigas possuem temas, linguagens e formas de abordagem diferentes. Conheça a seguir cada uma delas e exemplos:

Cantigas trovadorescas de amor
























As cantigas de amor falam sobre qualidades da mulher amada, se colocando em uma posição se submissão a ela. A mulher possui o papel de suserano e o poeta de vassalo.

O principal tema desse tipo de cantiga é o amor não correspondido. O amor não era correspondido porque a mulher já era casada, fazia parte de outro grupo social ou existia outro motivo que não permitisse viver o romance.

As cantigas de amor são escritas na primeira pessoa, nela o eu-lírico se mostra complemente submisso à mulher amada.

Um dos trovadores de maior destaque nesse tipo de cantiga foi D. Dinis, ele escreveu 138 textos.









































Veja a seguir um exemplo de cantiga de amor:

A dona que eu amo e tenho por Senhor
amostra-me-a Deus, se vos en prazer for,
se non dade-me-a morte.

A que tenh'eu por lume d'estes olhos meus
e porque choran sempr(e) amostrade-me-a Deus,
se non dade-me-a morte.

Essa que Vós fezestes melhor parecer
de quantas sei, a Deus, fazede-me-a veer,
se non dade-me-a morte.

A Deus, que me-a fizestes mais amar,
mostrade-me-a algo possa con ela falar,
se non dade-me-a morte.

Cantigas trovadorescas de amigos

Nas cantigas de amigo a mulher fala da ausência do seu amado. Mesmo a voz do eu lírico sendo feminina, são os trovadores que escrevem essas cantigas. Os autores falam sobre os pensamentos femininos, passando exatamente o sentimento das mulheres.

Essas cantigas são redigidas na primeira pessoa e, às vezes, em forma de diálogo. 

Nas cantigas de amigo a mulher vive uma angustia muito grande, sentimento que é compartilhado com outros membros da família como mãe, irmão, amigo.

A natureza também é muito retratada nas cantigas trovadorescas de amor, é possível perceber uma ligação com os pássaros, rios, flores e a luz.

Veja a seguir um exemplo de cantiga de amigos: 

Ai flores, ai, flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
ai, Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pos comigo?
ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi a jurado?
ai, Deus, e u é?

Vós me perguntades polo voss’amigo?
E eu ben vos digo que é viv’ e sano
ai, Deus, e u é?

Vós me perguntades polo voss’amado?
E eu ben vos digo que é viv’e sano
ai, Deus, e u é?






























Cantigas trovadorescas de escárnio 

As cantigas de escárnio fazem críticas de forma direta a uma pessoa. Nas cantigas de escárnio, o nome da pessoa em questão não era falado. Nesse tipo de texto encontramos algumas figuras de linguagem.

Confira o trecho de uma cantiga trovadoresca de escárnio escrita por Pero da Ponte:

De um certo cavaleiro sei eu, por caridade,
que nos ajudaria a matar tal saudade.
Deixai-me que vos diga em nome da verdade:
Não é rei nem é conde mas outra potestade,
que não direi, que direi, que não direi…

Cantiga trovadorescas de maldizer

Nas cantigas trovadorescas de maldizer o autor usa uma linguagem desbocada, vulgar, grosseira. Nesse tipo de cantiga o nome da pessoa satirizada é revelado.

Confira o trecho de uma cantiga trovadoresca de maldizer escrita por Dom Afonso X, o Sábio:

Trovas não fazeis como provençal
mas como Bernaldo o de Bonaval.
O vosso trovar não é natural.
Ai de vós, como ele e o demo aprendestes.
Em trovardes mal vejo eu o sinal
das loucas ideias em que empreendestes.

O que foi o trovadorismo?


trovadorismo foi o primeiro movimento literário da língua portuguesa. Esse movimento surgiu durante a Idade Média, no século XI.

Esse movimento se espalhou rapidamente pela Europa e declinou com o surgimento do humanismo. As cantigas são os principais registros do trovadorismo, elas estão reunidas em cancioneiros. Os cancioneiros são livros que guardam várias cantigas trovadorescas.

Os cancioneiros são divididos em três:

Cancioneiro da Ajuda

Esse cancioneiro fica na Biblioteca do Palácio da Ajuda, em Lisboa. Ele é formado por 310 cantigas.

Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa

Esse cancioneiro foi feito no século XV e possui 1.647 cantigas.

Cancioneiro da Vaticana

Esse cancioneiro fica na Biblioteca do Vaticano e guarda 1.205 cantigas

Os principais autores do trovadorismo foram: João Soares de Paiva, Paio Soares de Taveirós, o rei D. Dinis, João Garcia de Guilhade, Afonso Sanches, João Zorro, Aires Nunes, Nuno Fernandes Torneol.

Contexto histórico

A Idade Média durou vários anos, esse período foi marcado pela grande influência da Igreja Católica nos países da Europa. Dessa forma, Deus era o centro de tudo, deixando o homem á serviço das crenças cristãs.

Por causa desse contexto, a Igreja Medieval era a instituição mais importante e representava boa parte da fé cristã. Assim sendo, a Igreja Medieval ditava o comportamento e o pensamento do homem naquele período.

Trovadorismo em Portugal

O trovadorismo em Portugal chegou ao apogeu entre os séculos XII e XIII, decaindo no decorrer do século XIV.

Um dos principais propulsores desse movimento no país foi o rei D. Denis, ele escreveu mais 130 cantigas.

Também se descaram no trovadorismo português os autores: Paio Soares de Taveirós, João Soares Paiva, João Garcia de Guilhade e Martim Codax.

















Menestrel, trovador, jogral.

Existe diferença entre Trovador, jogral, segrel e menestrel?
        
  Sim. Cada denominação tem sua significação. 
Trovador é aquele que escreve a letra, é aquele que compõe

O jogral é um profissional que tinha como função declamar poesia este ficava a se deslocar de festa em festa, de sarau em sarau para declamar. Vale ressaltar que o jogral não compunha. 

Segrel é um fidalgo que ia de corte em corte para disseminar arte e literatura, e este poderia compor também como o trovador. Com o passar do tempo, o jogral passa a ser chamado de vagabundo por sair por ai declamando, com isto a denominação de jogral foi mudada para menestrel.Fonte: www.literaturadecamões.blogspot.com 

trovadorô/adjetivo substantivo masculino1.lit mús na Idade Média, que ou aquele que compunha e, por vezes, cantava composições poéticas, esp. líricas [Em Provença, os trovadores, quase todos de origem nobre, compunham sua lírica em língua d'oc ; na península Ibérica, emgalego-português. ].2.p.ext. que ou aquele que divulga, cantando ou declamando, poemas próprios ou alheios (diz-se de qualquer poeta).

Menestrel (do francês antigo ménestrel; do latim ministerialis, minister), na Idade Média, era o poeta e bardo cujo desempenho lírico referia-se a histórias de lugares distantes ou sobre eventos históricos reais ou imaginários.Menestrel – Wikipédia, a enciclopédia livrehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Menestrel


segrel se.grel sm (provençal segrer1 Poeta medieval, que ia de terra em terra, desempenhando a sua profissão de trovador, recitando ou cantando as suas composições, mediante paga em dinheiro. 2 Menestrel.


jogralsubstantivo masculino1.na Idade Média, até o sX, artista, ger. das classes mais humildes, que ganhava a vida divertindo o público, nos palácios ou nas praças públicas, com sátiras, mágicas, acrobacias, mímica etc.
2.após o sXIV, artista popular itinerante; saltimbanco, truão.








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