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Comunidades debatem o registro da Arte Santeira e o tombamento da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes

 

O dossiê de reconhecimento dos bens ficará sob consulta pública até o dia 28 de março.

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Teresina-PI (Foto: Acervo Iphan-PI)

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Teresina-PI (Foto: Acervo Iphan-PI)

Comunidades detentoras piauienses participam, às 14h30 deste sábado, 12, de evento virtual em que serão apresentadas informações sobre o processo de registro da Arte Santeira em Madeira do Piauí e do tombamento da Igreja Nossa Senhora de Lourdes como Patrimônio Cultural do Brasil. A ação é realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo.

Essa é a primeira vez que o Iphan promove uma ação de reconhecimento do Patrimônio Cultural que congrega, ao mesmo tempo, o registro de um bem imaterial e o tombamento de uma edificação e seu acervo. O evento deste sábado busca tratar sobre a conclusão de estudos e pesquisas para o reconhecimento dos bens.

Arte santeira em madeira do Piauí (Foto: Acervo Iphan-PI).A partir do encontro, também fica sob consulta pública a minuta do dossiê de reconhecimento dos bens, aberta a contribuições das comunidades detentoras. As manifestações da população poderão ser enviadas para o e-mail dpi@iphan.gov.br até o dia 28 de março.

Processo de reconhecimento

O processo teve início em 2008 quando Mestre Expedido entregou ao Iphan o pedido de registro – abaixo-assinado com 20 assinaturas, solicitando reconhecimento do Ofício e Modos de Fazer Arte Santeira do Piauí como Patrimônio Cultural do Brasil.

O pedido passou então por uma primeira fase que consistiu em análise documental, que considerou pertinente o pedido. Em 2011, o processo foi corroborado pelo resultado do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), realizado pelo próprio Iphan, com um resumo do universo de santeiros em mestres, localidades e saberes inventariados.

Em 2019, foram realizados pesquisa de campo e eventos de esclarecimento sobre o registro e tombamento da igreja junto às comunidades detentoras em Teresina e Parnaíba. Os debates e resultados dos eventos foram incorporados ao dossiê de registro.

Arte Santeira e Igreja de Nossa Senhora de Lourdes

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Teresina-PI (Foto: Acervo Iphan-PI).A Arte Santeira em Madeira do Piauí é manifestação plástica, como define dossiê de registro do bem, que utiliza a madeira como matéria-prima para o entalhe de esculturas tridimensionais, oratórios, painéis e outras peças de mobiliário, tendo se destacado em cidades como a capital Teresina, Parnaíba, Campo Maior, Pedro II e José de Freitas. Fruto de fenômeno sociocultural que emergiu no Piauí da década de 1970, a forma de expressão ganhou notoriedade por meio de iniciativas eclesiásticas, governamentais e do mercado de arte. Hoje, o estado reúne cerca de 50 santeiros em atividade.

“Os santeiros reivindicam com veemência sua singularidade artística, a marca individual embutida em cada uma das peças, que, para eles, jamais se repetem”, destaca o dossiê de reconhecimento da Arte Santeira. “Não se trata, com efeito, de uma arte ligada a processos de reprodutibilidade técnica, mas de uma produção com especificidades estilísticas apreciadas por um público de dentro e de fora do estado.”

Construída em fins da década de 1960, a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, em Teresina, está associada a uma “atitude pastoral” no contexto do pós-Concílio Vaticano II, materializando uma aproximação entre Igreja Católica e trabalhadores e camadas populares. A edificação também está vinculada à Arte Santeira em Madeira, uma vez que santeiros criaram peças especialmente para o acervo da igreja. A construção do templo é, portanto, um evento marcante para a produção santeira a partir da década de 1970.

Para ver a minuta do dossiê de reconhecimento dos bens, acesse o link. 

Mais informações para a imprensa:
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