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28 de out. de 2022

Quem vai segurar as pontas

 

Quem vai segurar as pontas

 Não imito Charles Bukowski


Saio sem paraguas, sem relógio de pulso,
não corro da chuva, fumo um cigarro
entre um gole e outro, tenho rótulos;
o que não tem rótulo é produto caseiro,
e ser feito em casa é um rótulo abstrato.

Pareço descontraído
com esse cigarro na mão esquerda.
até parece que apenas vivo
e que não tenho grandes propósitos na vida.

Minha franqueza e realismo
não me permite a arrogância e a falsa modéstia
de dizer que não quero ser grande coisa...
Davi enfrentou Golias com a pretensão de vencer,
quero vencer meu Golias sem grande esforço...
e com muita elegância.

O que você não sabe, é quem sou depois desse cigarro,
quem sou em outros momentos,
esse cigarro preso entre meus dedos da mão esquerda
e esses goles dizem muito mais do que você vê e sabe.

Não lembro mais quem fui antes desse vício...
nesse momento é que “jogo a toalha” , “abro as pernas”
“entrego os pontos” e sou um poeta
ou esse fracasso disfarçando e encenando descontração...,
um viciado compensando com o prazer do vício
as frustrações e os fracassos na vida...
ou você está pensando que enceno ser
o grande poeta bêbado e vagabundo na porta dos puteiros,
ou você pensa que imito Charles Bukowski.
cadê meu prêmio Nobel!

Se me perguntassem: 
_ O que você quer com esse Imparcialismo,
e essa leitura de si e de seu tempo.
Eu direi sem falsa modéstia e com toda a franqueza
_ Derrubar o modernismo...
Se é que ainda resta ruína para ser derrubada,
Falei sem pensar! Não há nada para derrubar;
o modernismo com sua liberdade exacerbada e sexual
corroeu a si mesmo, desestruturou a si mesmo,
o modernismo é um viciado da cracolândia. 

É preciso um pouco de sanidade,
é preciso ser um pouco solar,
um pouco de valores cristão,
não dá pra todo mundo ser da zona,
é preciso algumas mães e alguns pais de família para segurar as pontas.
É preciso algum sentimento bom
para sustentar um relação,
vício, exacerbação e liberdade aos moldes moderno
não seguram as pontas.
A nossa relação preciso de alguma coisa mais delicada, sutil e sublime;
o frio enrolar de corpos entre as cobertas não segura as pontas. 

Se eu imitasse alguma coisa seria a elegância dos gatos...
Como são elegantes! 
Mesmo quando de pernas para o ar...

Lá fora é preciso que alguém esteja vigilante,
quanto a mim, estou indo dormir;
não nasci para ser guarda

J.Nunes 

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