SIMULADO SARESP

 PROVA BRASIL 2011-NÍVEL 5-Leia o texto abaixo.


Massa boa é massa fresca


Os pais de um italianinho eram donos de uma trattoria no interior da Itália. Isso há décadas e décadas. Comida simples, tradicional, lugar pequeno, pratos deliciosos. Certa vez, enquanto o menino brincava no balcão e seu pai assumia as caçarolas, um turista que degustava a massa viu um ratinho passar no salão. “O que é isso?”, exclamou o cliente. Sem reação e também surpreso, o italiano improvisou: “Essa é Suzi. Mora aqui com a gente”.

PORTUGAL, Rayane. Revista do Correio. Correio Braziliense. 18 jul. 2010. p. 28.


No trecho “... que degustava a massa...”, a palavra destacada refere-se a 

A) menino.

B) pai.

C) turista.

D) ratinho.

E) italiano.


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PROVA BRASIL 2015-NÍVEL 5-Leia o texto abaixo.


Soneto de fidelidade


De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vive-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa lhe dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

MORAES, Vinícius de. Antologia poética. Editora do Autor: Rio de Janeiro, 1960. P. 96. 


No trecho “Quero vive-lo em cada vão momento” (v. 5), o pronome destacado refere-se a

A) amor.

B) zelo.

C) encanto.

D) pensamento.

E) momento.


PROVA BRASIL 2017-NÍVEL 4- LEIA O TEXTO E REPONDA: Burro-sem-rabo


São dez horas da manhã. O carreto que contratei para transportar minhas coisas acaba de chegar.

Vejo sair a mesa, a cadeira, o arquivo, uma estante, meia dúzia de livros, a máquina de escrever. Quatro retratos de criança emoldurados. Um desenho de Portinari, outro de  Pancetti. Levo também este cinzeiro. E este tapete, aqui em casa ele não tem serventia. 

E esta outra fotografia, ela pode fazer falta lá.

A mesa é velha, me acompanha desde menino: destas antigas, com uma gradinha de madeira em volta, como as do tabelião do interior. Gosto dela: curti na sua superfície muita hora de estudo para fazer prova no ginásio; finquei cotovelos em cima dela noites seguidas, à procura de uma ideia. Foi de meu pai. É austera, simpática, discreta, acolhedora e digna: lembra meu pai.

Esta cadeira foi de Hélio Pellegrino, que também me acompanha desde menino: é giratória e de palhinha. Velha também, mas confortável como as amizades duradouras.

Mandei reformá-la e tem prestado serviços, inspirando-me sempre a sábia definição de Sinclair Lewis sobre o ato de escrever: é a arte de sentar-se numa cadeira.

E lá vai ele, puxando a sua carroça, no cumprimento da humilde profissão que lhe vale o injusto designativo de burro-sem-rabo. Não tenho mais nada a fazer, vou atrás.

Vou atrás das coisas que ele carrega, as minhas coisas; parte de minha vida, pelo menos parte material, no que sobrou de tanta atividade dispersa: o meu cabedal. [...]

SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Ed. do autor, 1962, p. 10-12. 


No trecho “... que também me acompanha desde menino:” (5° parágrafo), a palavra destacada refere-se a

A) arquivo.

B) cadeira.

C) estante.

D) mesa.

E) tapete.


(PROVA BRASIL 2017-NÍVEL 6- Leia o texto abaixo. 


Os namorados


Um pião e uma bola estavam numa gaveta em meio a um monte de brinquedos. Um dia o pião disse para a bola:

– Devíamos namorar, afinal, ficamos lado a lado na mesma gaveta.

Mas a bola, que era feita de marroquim, achava que era uma jovem dama muito refinada e nem se dignou a responder à proposta do pião.

No dia seguinte, o menino, a quem todos esses brinquedos pertenciam, pintou o pião de vermelho e branco e pregou uma tachinha de bronze no meio dele. Ficava maravilhoso ao rodar.

– Olhe para mim agora! – o pião disse para a bola. – O que você acha, não daríamos um belo casal? Você sabe pular e eu sei dançar! Como iríamos ser felizes juntos!

– Isso é o que você acha – a bola retrucou – Você por acaso sabia que minha mãe e meu pai eram um par de chinelos marroquim, e que eu tenho cortiça dentro de mim?

– Mas eu sou de mogno – gabou-se o pião. – E ninguém menos que o próprio prefeito quem me fez, num torno que tem no porão. – E foi um grande prazer para ele.

– Como vou saber se o que está dizendo é verdade? – perguntou a bola.

– Que nunca mais me soltem se eu estiver mentindo! – o pião respondeu.

– Você sabe falar muito bem de si – admitiu a bola. – Mas terei de recusar o convite porque estou quase noiva de uma andorinha. Toda vez que pulo no ar, ele põe sua cabeça para fora do ninho e pergunta “você vai, você vai?”. Embora eu ainda não tenha dito que sim, já pensei nisso; e é praticamente o mesmo que estar noiva. Mas prometo que nunca o esquecerei.

ANDERSEN, Hans Christian. Os mais belos contos de Andersen. São Paulo: Moderna, 2008, p. 74. Fragmento. 


 No trecho “Embora eu ainda não tenha dito que sim,...” (último parágrafo), o pronome em destaque

refere-se 

A)  ao pião.

B)  à bola.

C)  ao menino.

D)  ao prefeito.

E)  à andorinha.


Leia o texto abaixo. 


PROVA BRASIL 2017-NÍVEL 7. Capítulo CXIX


Quero deixar aqui, entre parênteses, meia dúzia de máximas das muitas que escrevi por esse tempo. São bocejos de enfado; podem servir de epígrafe a discursos sem assunto: Suporta-se com paciência a cólica do próximo. 

Matamos o tempo; o tempo nos enterra.

Um cocheiro filósofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos andassem de carruagem.

Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.

Não se compreende que um botocudo fure o beiço para enfeitá-lo com um pedaço de pau. Esta reflexão é de um joalheiro.

Não te irrites se te pagarem mal um benefício; antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Fragmento. 


No trecho “... para enfeitá-lo...” (5° parágrafo), o pronome destacado substitui o termo

A) beiço.

B) botocudo.

C) cocheiro.

D) joalheiro.

E) pau.


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PROVA BRASIL 2019-NÍVEL 6- Leia o texto abaixo.  


A herança


Tenho muito carinho pelo meu telefone fixo. E isso desde os tempos em que ele não era chamado de telefone fixo, mas apenas de telefone. Embora eu perceba que ele não seja lá tão fixo assim, já que circula com desenvoltura pela casa toda. 

Meu pai não foi homem de muitas posses [...] nunca comprou nada, com raras exceções, nada que pudesse ficar, por exemplo, como herança. Entre as exceções, havia um telefone. [...] Era isso que eu queria dizer. Ganhei de herança do meu pai um telefone. [...] 

E é essa linha que eu vejo agora vivendo seus últimos dias. De pouco me serve aquele telefone fixo. Amigos, colegas, parentes, propostas de trabalho, chateações de telemarketing – tudo chega a mim pelo telefone celular. 

XEXEO, Artur. Revista O Globo. n. 316, 15 ago. 2010.


No trecho “E isso desde os tempos em que...”, o pronome destacado retoma o trecho: 

A) “Tenho muito carinho pelo meu telefone fixo.”. 

B) “... os tempos em que ele não era chamado de telefone fixo,...”. 

C) “Embora eu perceba que ele não seja lá tão fixo assim,...”. 

D) “... já que circula com desenvoltura pela casa toda.”. 

E) “Meu pai não foi homem de muitas posses...”.


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PROVA BRASIL 2015-NÍVEL 5- Leia o texto abaixo e responda.

 

A decadência do Ocidente


O doutor ganhou uma galinha viva e chegou em casa com ela, para alegria de toda a família. O filho mais moço, inclusive, nunca tinha visto uma galinha viva de perto. Já tinha até um nome para ela – Margarete – e planos para adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha seria, obviamente, comida.

– Comida?!

– Sim, senhor.

– Mas se come ela?

– Ué. Você está cansado de comer galinha.

– Mas a galinha que a gente come é igual a esta aqui?

– Claro.

Na verdade, o guri gostava muito de peito, de coxa e de asas, mas nunca tinha ligado as partes do animal. Ainda mais aquele animal vivo ali no meio do apartamento.

O doutor disse que queria comer uma galinha ao molho pardo. A empregada sabia como se preparava uma galinha ao molho pardo? A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao molho pardo.

– A empregada não sabe fazer?

– Não só não sabe fazer, como quase desmaiou quando eu disse que precisava cortar o pescoço da galinha. Nunca cortou um pescoço de galinha.

Era o cúmulo! Então a mulher que cortasse o pescoço da galinha.

– Eu?! Não mesmo!

O doutor lembrou-se de uma velha empregada de sua mãe. A Dona Noca.

– A Dona Noca já morreu – disse a mulher.

– O quê?!

– Há dez anos.

– Não é possível! A última galinha ao molho pardo que eu comi foi feita por ela.

– Então faz mais de 10 anos que você não come galinha ao molho pardo.

Alguém no edifício se disporia a degolar a galinha. Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém se animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o Rogerinho do 701, que fazia coisas inomináveis com gatos.

– Somos uma civilização de frouxos! – sentenciou o doutor. Foi para o poço do edifício e repetiu:

– Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida!

E a Margarete só olhando.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. A decadência do Ocidente. In: A mesa voadora. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.98. 


A repetição da expressão “galinha ao molho pardo” revela a

A) vontade do médico de comer aquele tipo de receita de galinha.

B) curiosidade do menino que nunca tinha visto uma galinha viva.

C) impaciência da esposa por não conseguir resolver o problema.

D) ignorância da empregada que não sabia fazer a receita.

E) falta de coragem das pessoas para cortar o pescoço da galinha.


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PROVA BRASIL 2015-NÍVEL 5-Leia o texto abaixo e responda.

 

Dia do professor de anacolutos


Levantei-me, corri a pegar o giz, aqui está, professor. Ele me olhou agradecido, o rosto cansado. Já naquela época, o rosto cansado. Dava aulas em três escolas e ainda levava para casa uma maçaroca de provas para corrigir.

O aluno preparava-se para sentar, ele, o olhar fino:

– Aproveitando que o moço está de pé, me diga: sabe o que é um anacoluto?

É o que dá a gente querer ser legal.

Vai-se apanhar o giz do chão, e o professor vem e pergunta o que é anacoluto. Por que não pergunta àquela turma que ficou rindo do bolso traseiro rasgado das calças dele?

– Anacoluto... Anacoluto é... Anacoluto.

– Pode se sentar. Vou explicar o que é anacoluto. Muito obrigado por ter apanhado o giz do chão. Estou ficando enferrujado.

Agora era ele, no bar, tomando café.

– Lembra de mim, professor?

Também estou de cabelos brancos. Menos que ele, claro.

Com o indicador da mão esquerda acerta o gancho dos óculos no alto do nariz fino e cheio de pintas pretas e veiazinhas azuladas, me encara, deve estar folheando o livro de chamada, verificando um a um o rosto da cambada da segunda fila da classe.

– Fui seu aluno, professor!

DIAFÉRIA, Lourenço. O imitador de gato. 2ª ed. São Paulo: Ática, 2003. Fragmento. 


A expressão destacada em “Estou ficando enferrujado” (7° parágrafo), tem o mesmo sentido de

A) contrair doenças.

B) estar preguiçoso.

C) ser descuidado.

D) ser esquecido.

E) ter limitações.


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PROVA BRASIL 2019-NÍVEL 5 -Leia o texto abaixo.


Resiliência 

A arte de dar a volta por cima


“Aquilo que não me destrói me fortalece”, ensinava o filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche. Este poderia ser o mote dos resilientes, aquelas pessoas que, além de pacientes, são determinadas, ousadas flexíveis diante dos embates da vida e, sobretudo, capazes de aceitar os próprios erros e aprender com

eles.

Sob a tirania implacável do relógio, nosso dia a dia exige grande desgaste de energia, muita competência e um número cada vez maior de habilidades. Sobreviver é tarefa difícil e complexa, sobretudo nos grandes centros urbanos, onde vivemos correndo de um lado para outro, sobressaltados e estressados. Vivemos como aqueles malabaristas de circo que, ofegantes, fazem girar vários pratos simultaneamente, correndo de lá para cá, impulsionando-os mais uma vez para que recuperem o movimento e não caiam ao chão.

O capitalismo, por seu lado, modelo econômico dominante em nossa cultura, sem nenhuma cerimônia empurra o cidadão para o consumo desnecessário, quer ele queira ou não. A propaganda veiculada em todas as mídias é um verdadeiro “canto da sereia”; suas melodias repetem continuamente o refrão: “comprar, comprar, comprar”.

Juntam-se a isso o trânsito caótico, a saraivada cotidiana de más notícias estampadas nas manchetes e as várias decepções que aparecem no dia a dia, e pronto: como consequência, ficamos frágeis, repetitivos, desesperançados e perdemos muita energia vital.

Se de um lado a tecnologia parece estar a nosso favor, pois cada vez mais encurta distâncias e agiliza a informação, de outro ela acelerou o ritmo da vida e nos tornou reféns de seus inúmeros e reluzentes aparatos que se renovam continuamente. E assim fi camos brigando contra o... tempo!

KAWALL, Tereza. Revista Planeta, Fevereiro de 2010, Ano 38, Edição 449, p. 60-61. Fragmento. 


No trecho “Juntam-se a isso...” (4° parágrafo), a palavra destacada refere-se

A) ao consumismo gerado pelo capitalismo.

B) ao trânsito caótico nas grandes cidades.

C) às notícias ruins veiculadas pela mídia.

D) às necessidades vitais das pessoas.

E) às várias decepções do dia a dia.


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PROVA BRASIL 2013-NÍVEL 5. Leia o texto abaixo.


Vida


Quando era criança pura,

Moleque, danado e travesso.

Tudo que tocava levava

Ao mundo da fantasia.


Mas logo me tornei adolescente.

A confusão permeava minha mente.

Por mais que tentasse a magia,

Estavam fechadas as portas da fantasia.


Tempo passou, tornei-me adulto.

Sempre à procura do lado oculto.

Mas as viagens malucas

Continuavam presas à magia.


Logo chegou a velhice,

Aquela que tudo esclarece.

Que cochichou bem baixinho:

Sabedoria, só para quem a merece.

BELO, João. Disponível em: <www.mundojovem.com.br> - p.9, nº 384 - Março/2008.


No verso “Que cochichou bem baixinho”, a expressão destacada refere-se a

A) adolescente.

B) adulto.

C) criança.

D) sabedoria.

E) velhice.


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PROVA BRASIL 2017-NÍVEL 3- Leia o texto abaixo.


Das negativas


Entre a morte de Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro lugar entre os homens, acima da ciência e da riqueza, porque eras a genuína e direta inspiração do céu. O acaso determinou o contrário: e aí vos ficais eternamente hipocondríacos. 

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas cousas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado de mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. 

Assis, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. 18. ed. São Paulo: Ática, 1992, p. 176. Fragmento. 


No trecho “O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo ...” (1° parágrafo), o pronome destacado substitui 

A) D. Plácida.

B) Quincas Borba.

C) o emplasto Brás Cubas.

D) o legado de nossa miséria.

E) o outro lado do mistério.


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