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Balanço do primeiro ano de pandemia realizado pela Nova Escola

 

Balanço do primeiro ano de pandemia realizado pela Nova Escola mostra satisfação dos professores, mas traz alerta à saúde

• Docentes avaliam bem o relacionamento que conseguiram manter com os alunos em 2020 - 68,5% disseram que foi bom ou muito bom - e sua adaptação à tecnologia - 69,5% se sentem confiantes

• Autoavaliação positiva cai para 46,8% quando se trata da saúde física e emocional

• Para educadores, o desempenho geral das redes e dos alunos no ano passado foi mediano

• Quando se fala em sonhos para 2021, vacina é a palavra mais citada entre os professores ouvidos

• Apesar de 2020 não ter sido um ano bom para 35% dos respondentes, 71% se disseram, em janeiro, motivados com o retorno

São Paulo, 19 de março de 2021 - A Nova Escola, negócio social voltado a oferecer recursos para educadores e a melhorar a educação pública no Brasil, realizou uma pesquisa online com sua base de usuários que revela a percepção dos professores sobre 2020 e as suas expectativas para 2021.

O levantamento foi respondido entre os dias 5 e 15 de janeiro de 2021, no site da Nova Escola, por 1.560 professores da Educação Básica, sendo 87,3% mulheres. Entre os respondentes, 64% têm 31 e 50 anos, e maioria (80,2%) leciona em escolas públicas (municipais, estaduais, federais e conveniadas). 1.205 (59%) atuam no Ensino Fundamental. O questionário contou com respondentes de todos os estados da Federação. A adesão maior aconteceu no Estado de São Paulo, com 25,3% dos respondentes.

A ação se propôs fazer um balanço do último ano e mapeamento das expectativas dos professores para 2021, levando em consideração:

• a motivação que sentem;
• as informações que receberam das suas redes de ensino sobre planejamento;
• o apoio que esperam receber dessas redes para a recepção e a avaliação diagnóstica dos alunos e para as práticas de ensino em contextos híbridos, que inclui momentos presenciais e remotos;
• e como avaliam o preparo dos alunos para o novo ano.

Além desses aspectos, a pesquisa mostra como os professores avaliam o próprio desempenho e o que acham do desempenho dos alunos e das redes no ano que passou.

Professores estão satisfeitos com o seu desempenho em 2020, exceto na forma como cuidaram da saúde

A atividade profissional dos professores foi, sem dúvida, uma das mais afetadas pela pandemia, mas, o balanço feito depois de um ano de pandemia mostra que muitos se sentem satisfeitos em relação ao próprio desempenho, apesar de reconhecerem que a qualidade de vida ficou comprometida em 2020.

Segundo os dados, os educadores encerram 2020 ainda conectados com os alunos 68,5% se autodeclaram com bom (38,1%) ou muito bom (30,4%) desempenho no quesito manter vínculos com os estudantes - e mais confiantes em relação ao uso de tecnologias - 69,5% com bom (42,9%) ou muito bom (26,6%) desempenho em relação a adaptar-se às tecnologias da informação e comunicação. Já quando questionados sobre seu desempenho em relação a manter a saúde emocional e física, auto avaliação positiva cai para 46,8% (32,3% bom e 14,%% muito bom).



Em uma escala de 1 a 5 (sendo 1, "muito ruim" e 5, "muito bom"), como você avalia o seu desempenho em 2020, em relação a manter a sua saúde emocional e física. Assinalou 0 os que preferiram não responder.

"O ano foi difícil e os professores precisaram se empenhar muito para conseguir lidar com a tecnologia, ou com a falta dela, para adaptar a sua rotina ao ensino remoto e para manter alunos e pais motivados. Houve, sem dúvida, muito empenho, mas também uma sobrecarga emocional grande, o que fez a saúde mental, questão que já acompanha a profissão há anos, se tornar utema urgente para os professores", diz Ana Ligia Scachetti, Gerente Pedagógica da Nova Escola .

Desempenho das redes e dos alunos em 2020, segundo os professores

Entre os docentes ouvidos pela pesquisa, 46,9% afirmam que suas redes garantiram suporte pedagógico bom (27,9%) e muito bom (19%). Quanto ao fornecimento de materiais e equipamentos36,7% consideraram o desempenho das redes bom (23%) e muito bom (13,7%). No suporte emocional, a avaliação é mais crítica, com 31,7% considerando o suporte bom (20,2%) e muito bom (11,5%). Nesse quesito, 17,1% consideraram o suporte emocional muito ruim.

Quanto ao desempenho dos estudantes em 2020, a categoria mais escolhida foi de desempenho intermediário nas três questões sobre o tema avaliadas pela pesquisa. Quando se trata do currículo, o desempenho neutro foi a escolha da maioria, totalizando 41,2%. O mesmo aconteceu quando se trata da participação dos alunos nas aulas (32,9%) e nas habilidades socioemocionais (39,7%).

Apenas 6,5% julgam muito bom o rendimento deles em relação aos temas do currículo escolar previstos para o ano letivo e à participação nas aulas ao vivo e na realização de atividades. Já 32,8% dos professores consultados consideram ruim (25,3%) ou muito ruim (7,5%) o desempenho dos alunos em relação às habilidades socioemocionais, como resiliência e autonomia.

"Não falamos em ‘ano perdido’ na Educação. As perdas irreparáveis deste ano são de vidas. Há também muito sofrimento envolvendo questões econômicas em famílias vulneráveis. Na Educação, teremos tempo para retomar e recuperar as aprendizagens. Até por isso sabemos que neste ano as turmas serão mais heterogêneas. Daí a importância de conseguir diagnosticar, já no início das aulas, o que os alunos aprenderam e o que os professores vão precisar retomar. Tudo isso sem esquecer do acolhimento que será necessário antes de tudo e para todos os atores da comunidade escolar", completa Ana Ligia .

Perspectiva em janeiro era de esperança e otimismo para 2021

Apesar de menos de um quarto dos respondentes (23,2%) avaliar o período letivo de 2020 como bom ou muito bom, grande parte acreditava em janeiro que 2021 seria um ano positivo. A maioria (71%) afirmou estar motivada para o próximo ano em um nível bom (31,6%) ou muito bom (39,4%).

Quando o assunto é o apoio da rede para a recepção dos alunos, maioria dos docentes (64,8%) disse ter boas (33,8%) ou muito boas (31%) expectativas. O mesmo otimismo se repete quando questionados sobre o apoio da rede para as avaliações diagnósticas dos alunos, onde mais da metade respondeu de forma positiva (31,4% responderam bom e 21,4% muito bom). A expectativa da rede para a prática de ensino em contextos híbridos também foi vista como positiva pela maioria (30,7% bom e 22,6% muito bom) .

Mesmo diante do otimismo para 2021, as estratégias e os planejamentos propostos pelas redes de ensino para o próximo ano aparecem como um aspecto que gera desconfiança entre os participantes. Na questão correspondente as opções bom (25,2%) e muito bom (13,1%) totalizam 38,3%, já as categorias ruim (14%) ou muito ruim (11,2%), somam 25,2%. O preparo dos alunos, em termos de conteúdo e habilidades do currículo, é outro tema que, segundo 23% dos professores (ruim 15,6% e muito ruim 7,4%), demanda atenção .



Em uma escala de 1 a 5 (sendo 1, "muito ruim" e 5, "muito bom"), como você avalia sua disposição e motivação para 2021. Assinalou 0 os que preferiram não responder.

"As respostas abertas sugerem que o otimismo dos professores vem principalmente da perspectiva da vacina em 2021", finaliza Ana Ligia Scachetti. Veja abaixo nuvem de palavras construída a partir das respostas abertas:

Quais são seus sonhos para 2021? Nuvem de palavras construída a partir das respostas abertas

Conteúdos gratuitos para apoiar professores e gestores escolares

A recente pesquisa da Nova Escola faz parte das ações que a associação está conduzindo desde o início da pandemia para apoiar os professores e redes do ensino público no enfrentamento dos desafios impostos pelo isolamento social. Nesse sentido, acaba de lançar o Trilhas do Amanhã, projeto que oferece aulas ao vivo, cursos e ebooks gratuitos para auxiliar professores e gestores escolares (diretores e coordenadores pedagógicos) nos principais desafios que enfrentarão em 2021, como acolhimento, currículo, metodologia, planejamento, avaliação e diagnóstico.

Em 2020, pelo projeto Conexão Educativa, feito em parceria com o Google.org, a Nova Escola também disponibilizou gratuitamente mais de seis mil planos de aulas, além de cursos e atividades gratuitas adaptadas para o ensino remoto. O Educação em Rede, que envolveu Nova Escola e Facebook, apresentou uma série de cursos, tutoriais e entrevistas sobre uso de tecnologia para a educação a distância. Ao lado da Fundação Tide Setubal e com o apoio da Fundação Lemann, organizou ainda em 2020 o Movimento Saúde Emocional de A a Z para sensibilizar e engajar os professores nos desafios relacionados à sua saúde emocional durante a após a crise sanitária. Todos os conteúdos podem ser acessados sem custo no site da Nova Escola.



SOBRE A NOVA ESCOLA

Nova Escola é um negócio social, sem fins lucrativos, que entrega conteúdos, produtos e serviços para apoiar, facilitar e valorizar toda a jornada do educador brasileiro. Sua missão é fortalecer educadores para transformar a educação pública brasileira e possibilitar que os alunos desenvolvam o máximo do seu potencial. Tem relacionamento com o segmento há mais de 30 anos e uma base de 1,5 milhão de usuários .

Nascida há mais de 30 anos, como uma revista especializada em Educação Básica com foco no ensino e aprendizagem, a Nova Escola vem investindo em ampliar os formatos e ferramentas que apoiam o dia a dia dos professores e gestores no Brasil. Entre as iniciativas, estão a oferta de cursos online, formações presenciais, planos de aula alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e conteúdos editoriais gratuitos e exclusivos para assinantes.

Para apoiar os desafios diários dos educadores durante a pandemia da Covid-19, Nova Escola também está preparando conteúdos jornalísticos focados em temas relacionados ao isolamento; adaptando planos de aula para uso remoto e produzindo e oferecendo gratuitamente cursos e boxes para instrumentalizar o professor durante este momento.



Mais informações para jornalistas:
Liora Mindrisz

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